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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Minhas 20 frases favoritas do clássico "Neuromancer" de William Gibson




Tá, eu sei. Essa lista não representa um post convencional aqui da Cripta. Mas, a esta altura do campeonato, todo mundo sabe que aqui não temos regras!

Então lá vai. As minhas 20 frases favoritas de "Neuromancer", porque ... ora, porque sim! 😎

20) "A menos que você tenha um medo mórbido de morrer."

19) "Você estava errado, Case. Viver aqui é viver. Não há diferença."

18) "Eu sou os mortos, e sou também a terra deles."

17) "Poder, no mundo de Case, significava poder corporativo. As zaibatsus, as multinacionais que davam forma ao curso da história humana, haviam transcendido antigas barreiras. Vistas como organismos, haviam adquirido uma espécie de imortalidade."

16) "Ninguém confia nesses filhos da puta, você sabe disso. Toda IA já construída possui um rifle eletromagnético apontado e amarrado à sua testa."

15) "Enquanto trabalhavam, Case foi aos poucos se dando conta de uma música que pulsava constantemente por todo o aglomerado. Era chamada dub, um mosaico sensual misturado a partir de imensas bibliotecas de pop digitalizado; era fé, disse Molly, e um senso de comunidade."

14) "McCoy Pauley, o Lázaro do ciberespaço ..."

13) "Uma dupla de cientistas cristãos, com cara de predadores, abria caminho devagar na direção de um trio de jovens técnicas de escritório que usavam vaginas holográficas estilizadas nos pulsos, um rosa úmido brilhando sob a luz fria."

12) "Os Modernos eram mercenários, piadistas de mau gosto, tecnofetichistas niilistas."

11) "Modismos varriam o Sprawl à velocidade da luz; subculturas inteiras podiam surgir da noite para o dia, proliferar por algumas semanas e depois desaparecer inteiramente."

10) "Ciberespaço ... uma representação gráfica de dados abstraídos dos bancos de todos os computadores do sistema humano. Linhas de luz alinhadas no não espaço da mente, aglomerados e constelações de dados. Como luzes da cidade, se afastando..."

09) "... onde a arte não chegava a ser um crime e o crime não chegava a ser arte."

08) "Lá nas sombras, alguém fez sons molhados e morreu."

07) "- É melhor fugir, meu amor. Cidades como esta aqui são pra gente que gosta de descer ladeira abaixo."

06) "Além do tremor de neon de Ninsei, o céu tinha aquele tom de cinza sinistro. O ar havia ficado pior; parecia ter dentes essa noite, e metade da multidão usava máscaras com filtro".

05) "O cultivo de uma certa paranoia domada era uma coisa que Case já encarava como natural. O truque estava em não deixar que ela fugisse ao controle."

04) "Night City era como uma experiência malsucedida de darwinismo social ..."

03) "Os japoneses já haviam esquecido mais neurocirurgia do que os chineses jamais haviam apreendido".

02) "O sorriso do bartender ficou ainda maior. Sua feiura era legendária."

01) "O céu sobre o porto tinha cor de televisão num canal fora do ar."

terça-feira, 14 de agosto de 2018

O Caveira resenha: STAR WARS - AFTERMATH ("Marcas da Guerra"), de Chuck Wendig (2015)




Como todo fã de Star Wars já sabe, na esteira da aquisição da Lucasfilm pela Disney em 2012, o conglomerado de Mickey & Cia declarou (mais precisamente em 2014) que todo o vasto Universo Expandido (ou seja, todas as tramas e histórias de Star Wars construídas ao longo das décadas fora das telas do cinema, seja em livros, videogames, HQs, etc) perderia o status de material canônico da franquia e passaria a existir sob o novo nome de Star Wars Legends. Em outras palavras, tudo aquilo que antes era considerado uma extensão enriquecedora do universo cinemático de Star Wars passou, a partir de 2014, a existir na forma de mera curiosidade artística, como "lendas" - ou seja, como histórias alternativas.

Uma das consequências mais dramáticas desta decisão é que os livros conhecidos como Trilogia Thrawn, de autoria de Timothy Zahn, deixaram de ser canônicos. Lançados entre 1991 e 1993, durante mais de vinte anos estes três livros se converteram em objeto de adoração dos fãs de Star Wars porque gozavam da distinção de representar o que de mais próximo se poderia chamar de uma continuação da clássica trilogia dos filmes lançados entre 1978 e 1983.

Estes livros ("Hair of the Empire", "Dark Force Rising" e "The Last Command") eram, portanto, essencialmente a resposta para a pergunta "o que aconteceu lá naquela galáxia muito, muito distante depois do fim de O Retorno de Jedi?".  


Com o anúncio do tão aguardado Episódio VII nos cinemas (que viria a ser lançado em dezembro de 2015) e a "expulsão" da Trilogia Thrawn dos cânones de Star Wars, restava um "buraco negro" cronológico-narrativo de mais de vinte anos entre os fatos mostrados nos final de "O Retorno de Jedi" e o início do Episódio VII ("O Despertar da Força"). E é exatamente aí que entra a nova trilogia "Aftermath", de autoria de Chuck Wendig, cujo primeiro livro é justamente "Aftermath" (ou "Marcas da Guerra", aqui no Brasil).

Lançado em setembro de 2015, no clima de expectativa e preparação para o lançamento do Episódio VII nos cinemas, "Aftermath" não chegou a ser o primeiro livro do novo universo literário canônico de Star Wars pós-2014. Essa honra coube a Star Wars: A New Dawn, lançado ainda em 2014 e de autoria de John Jackson Miller (autor de "Kenobi", recentemente resenhado aqui na Cripta). 


Mas "Aftermath" carrega consigo uma honra muito maior: assumindo o lugar que outrora perteneceu à cultuada Trilogia Thrawn de Timothy Zahn, "Aftermath" dá o pontapé inicial em uma nova trilogia de livros que faz a "ponte" entre o final de "O Retorno de Jedi" e o começo de "O Despertar da Força". Em outras palavras, "Aftermath" agora é a resposta oficial e canônica da Disney para a pergunta "o que aconteceu lá naquela galáxia muito, muito distante depois do fim de O Retorno de Jedi?". 

A história de "Aftermath" começa alguns meses depois do final de "O Retorno de Jedi". A Aliança Rebelde destruiu a segunda Estrela da Morte, Darth Vader e o Imperador Palpatine estão mortos e o Império está em frangalhos, com sua autoridade fragmentada pela galáxia. Uma Nova República começa a ser construída, tendo como Chanceler Suprema a líder rebelde Mon Mothma. Em busca de lideranças e combatentes imperiais escondidos, o veterano piloto Wedge Antilles sai em uma missão solitária de inspeção em uma série de planetas. Depois de passar por cinco outros planetas, Wedge chega a Akiva, onde a maior parte da trama de "Aftermath" se passa.

Rapidamente, Wedge percebe que o lugar está sendo utilizado como ponto de encontro para uma reunião de cúpula de forças imperiais remanescentes. Infelizmente, antes de conseguir transmitir essa informação para os rebeldes, Wedge é capturado. Rapidamente, a sua captura chega ao conhecimento de Norra Wexley, integrante da Aliança Rebelde que retorna a Akiva para reencontrar seu filho Temmin (um adolescente que aparece adulto depois em "O Despertar da Força", como piloto da rebelião, sob o nome Snap Wexley - e interpretado pelo ator Greg Grunberg). 

As circunstâncias e a presença dos imperiais acabam reunindo os Wexleys com o ex agente imperial Sinjir Rath Velus e com a caçadora de recompensas Jas Emari, colocando todos estes novos personagens em rota de colisão com os altos oficiais imperiais presentes em Akiva, liderados pela fria e calculista Almirante Rae Sloane (introduzida anteriormente no já mencionado livro "A New Dawn" de John Jackson Miller).

Esta é, em síntese, a trama de "Aftermath". A questão que realmente importa, no entanto, é: "e aí, o livro é bom?". E a resposta é, simplesmente, sim! Ao contrário, por exemplo, do já mencionado "Kenobi", que pecava por mais parecer uma trama qualquer forçadamente adaptada para incluir elementos do universo Star Wars, este "Aftermath" ostenta uma inegável quantidade de autêntico DNA da franquia. Do começo ao fim, ele constrói uma atmosfera e uma narrativa que soam perfeitamente como uma trama de Star Wars. 

A construção dos novos personagens é muito boa, a interação com velhos rostos conhecidos dos fãs funciona muito bem e o livro termina como uma promissora introdução a um novo capítulo "ponte" entre a trilogia de filmes dos anos 1980 e a nova trilogia iniciada em 2015 com "O Despertar da Força". Chuck Wendig acerta no tom da ação, do humor e dos diálogos, construindo um "Star Wars" dinâmico, divertido e convincente. Além disso, o livro traz bons momentos (embora curtos e rápidos) de reflexão política de certos personagens sobre os destinos da  galáxia e os desafios intermináveis da democracia. Reflexões e mensagens apropriadas e oportunas, sobretudo para o atual momento da política aqui no nosso mundo real. Como curiosidade, vale o registro de que "Aftermath" apresenta o segundo personagem abertamente gay do universo Star Wars, e o primeiro masculino (a primeira foi a Moff Delian Mors em "Star Wars: Lords of the Sith", de Paul S. Kemp, lançado também em 2015). Eu não vou contar quem é: leia e descubra! :)

Claro: nem tudo são flores em Aftermath. Ao longo das 403 páginas do livro, não espere, por exemplo, dar de cara com novas aparições de Luke Skywalker ou da Princesa Leia. A trama é essencialmente focada em personagens inteiramente novos. Apenas dois personagens consagrados da trilogia original de filmes dão as caras neste livro, e se trata literalmente de uma aparição relâmpago, que começa e termina em cinco páginas. É mais um "teaser" do que qualquer outra coisa. 

De resto, alguns coadjuvantes da trilogia clássica, como Mon Mothma, Wedge Antilles e o General Ackbar, também se fazem presentes. Mas é importante que o leitor tenha em mente que, neste ponto, esta nova trilogia "Aftermath", iniciada pelo livro de mesmo nome, se mostra fundamentalmente diferente da antiga trilogia Thrawn: enquanto esta funcionava como uma continuação de "O Retorno de Jedi" focada sobretudo em Luke, Han Solo e Leia, a nova trilogia "Aftermath" (pelo menos no que diz respeito a este primeiro livro) se mostra mais preocupada em apresentar novos personagens do que em focar no clássico trio de heróis dos filmes originais.

Apesar da ausência do amado mestre Luke, "Aftermath" é um Star Wars sólido e divertido, que abre às portas para uma trilogia de livros com muito potencial. Estou curioso pelos próximos, que já estão no mercado: a sequência "Life Debt" foi lançada em 2016 e a conclusão "Empire's End" em 2017. Ambos já estão na minha lista de próximas leituras.

O Caveira recomenda. E que a Força esteja com você!

sexta-feira, 4 de maio de 2018

O Caveira analisa: "Star Wars: Kenobi" (2013), de John Jackson Miller



Lançado em 2013 (e em 2015 aqui no Brasil, pela editora Aleph), "Star Wars: Kenobi", escrito por John Jackson Miller, é ao mesmo tempo uma grata surpresa e uma decepção.

Grata surpresa, porque apresenta uma trama no universo Star Wars com uma roupagem bastante diferente, qual seja, um western - o popular "faroeste". Não consigo pensar em uma maneira melhor de definir este livro: um faroeste com o desértico planeta Tatooine no lugar do velho oeste norte-americano, com Obi-Wan Kenobi no lugar do mocinho-forasteiro-pistoleiro, com tusken raiders (os membros do "Povo da Areia", lembra?) no lugar de índios e com fazendeiros e colonos no lugar de ... bem, de fazendeiros e colonos mesmo.

Ao mesmo tempo, o livro é uma decepção. Explico. O título "Kenobi" induz o leitor a acreditar que o personagem não apenas é o protagonista da história, mas também que ele é o "objeto" principal, por assim dizer, da própria trama. Bem, nada poderia estar mais distante da realidade. Kenobi é o protagonista sim, mas de uma história que não contribui praticamente em nada para aprofundar o desenvolvimento do personagem ou revelar novas facetas sobre a sua mente e o seu exílio de longos anos no desértico Tatooine.

Assim, ao contrário do que o título sugere, "Kenobi" não é um livro sobre Kenobi, mas sim meramente uma história protagonizada (parcialmente) por ele. Não espere, portanto, encontrar aqui nenhum tipo de mergulho na psique, na intimidade ou nas reflexões íntimas do personagem. Os momentos neste sentido, ao longo do livro, são tão esparsos e rápidos que mais parecem artificialmente acrescentados na trama apenas para não frustrar completamente as expectativas do leitor que se encantou com a capa do livro.

Aliás, "Kenobi" não tem apenas muito pouco de Kenobi: ele também tem muito pouco de Star Wars. Digo, com a maior tranquilidade, que em menos de cinco horas de trabalho qualquer escritor seria capaz de, apenas revisando o livro e substituindo nomes e citações, transformar esta história em um faroeste genérico ambientado no velho oeste tradicional, sem qualquer relação com nenhum elemento de Star Wars. Substitua Kenobi por algum pistoleiro errante solitário ao melhor estilo Clint Eastwood, substitua Tatooine por algum pequeno vilarejo perdido no meio do deserto do oeste americano na segunda metade do século XIX, substitua os tuskens por índios e pronto: você terá em mãos um western arquetípico.

Esta impressão desconfortável, de que estamos diante de uma história que apenas recebeu uma camada de verniz artificial para ficar parecendo com algo saído do universo Star Wars, é talvez a coisa mais incômoda a respeito de "Star Wars: Kenobi". Enquanto que o título e capa sugerem que estaríamos diante de um aprofundamento literário de um dos personagens mais emblemáticos e importantes deste universo ficcional, o que a trama em si nos entrega é algo muito diferente disso.

É digno de nota que, até como personagem, Kenobi se faz ausente em uma parte considerável do livro. Depois de uma brevíssima aparição no prólogo, iniciado na página 22, o "protagonista" desaparece na página 36 e só reaparece novamente na página 84. Sim: são quase cinquenta páginas nas quais o leitor se vê lendo um livro chamado "Kenobi" que não apenas não trata de Kenobi como sequer conta com a presença dele. É um começo brutalmente maçante e tedioso, que faz o leitor se perguntar "ué, mas afinal de contas o que é isso que estou lendo?". A sensação é algo como se alguém tivesse colado o miolo de um livro na capa de outro.

Depois disso, Kenobi retorna ao palco e seguimos até o final da história, na página 521, basicamente sem avançar um centímetro rumo a um conhecimento mais claro e profundo sobre o personagem. Se alguma vez você já se fez perguntas do tipo "o que Kenobi terá feito durante seus anos de exílio em Tatooine?", "como será que ele vivia?", "ele saía do planeta de vez em quando?" e coisas assim ... bem, esqueça: este livro não introduz praticamente nenhuma informação nova sobre a vida de Obi-Wan no exílio.

É verdade que, depois da aquisição dos direitos da franquia pela Disney, todo o chamado "Universo Expandido" de Star Wars foi declarado "não canônico" e reunido sob a denominação genérica de "Star Wars Legends", com status de histórias alternativas paralelas. A Disney bem que poderia ter poupado "Kenobi" desse tratamento, já que o livro é tão distante do universo dos filmes e alheio ao cânone que, mesmo que ele fosse considerado como uma história da cronologia oficial de Star Wars, ainda assim não correria qualquer risco de contradizer nada que vimos nos filmes.

Tudo isso não significa que "Star Wars: Kenobi" não tenha um lado interessante. Ora, é um faroeste com Obi-Wan Kenobi, fazendeiros trapaceiros, armas laser e espadas de luz, uma donzela em apuros, ataques do Povo da Areia, mafiosos a serviço de Jabba e monstros do deserto, tudo ambientado em Tatooine. Só o fato de realizar a ideia de um western dentro de Star Wars já faz com que o livro de John Jackson Miller mereça um lugarzinho de destaque na longa lista de livros ambientados neste universo ficcional. Some-se a isto o fato de ser muito bem escrito, com bom ritmo (na maior parte do tempo, pelo menos) e temperado com boas doses de humor e ação, e o resultado certamente se mostra merecedor de uma conferida, pelo menos para os fãs de Star Wars.

A chave para evitar decepções aqui é ter em mente que, ao contrário do que sugere o nome da obra e a capa, este NÃO É um livro SOBRE Kenobi. Aliás, o livro poderia muito bem se chamar "Star Wars: Tatooine" ou "Star Wars: Os Colonos do Deserto" ou qualquer coisa assim. A ênfase exagerada no nome de um dos maiores e mais amados personagens de Star Wars acaba se mostrando, ao fim das contas, mais como uma artimanha mercadológica do que como uma decisão artística propriamente dita.

Um pouco menos de oportunismo editorial e uma ênfase maior naquilo que o livro realmente é - ou seja, uma história em pequena escala dentro do universo Star Wars, na qual Kenobi é apenas um participante - talvez fizessem o leitor se sentir mais à vontade com essa experiência diferente, porém interessante, conduzida por John Jackson Miller: a de colocar Obi-Wan Kenobi numa situação e em um cenário mais próximos daquilo que costumamos associar com Clint Eastwood, e não com guerras civis galácticas ou com os dramas e conflitos geracionais da família Skywalker.

sábado, 28 de abril de 2018

O Caveira analisa: "A Delação" (The Whistler), de John Grisham


 

John Grisham não é só o mestre dos thrillers jurídicos: é também uma máquina de publicar livros. Já são 31 obras publicadas de 1988 até agora, e isso contando apenas os seus romances (há ainda duas coleções de histórias curtas, um livro na categoria não-ficção e uma série de seis livros para crianças). Para se ter uma ideia da produtividade de Grisham, basta ver que "A Delação" (The Whistler", lançado em 2016) já foi sucedido por outros dois lançamentos do autor. Grisham realmente não pisa no freio: desde 2007, vem lançando um livro por ano (até dois por ano, casos de 2012 e 2017).

Grisham, é verdade, praticamente nunca deixa a peteca cair. Li mais de uma dezena de livros dele desde que descobri o trabalho do autor no final dos anos 90. Comecei, à época, pelo excelente "The Street Lawyer", de 1998. Admito que nunca li um livro de Grisham que pudesse ser rotulado como "ruim". Mas a produtividade em escala industrial do autor, é claro, cobra um preço: nem todo livro de Grisham chega a ser uma obra-prima. Entre tramas maravilhosas como "The Runaway Jury" (1996), "The King of Torts" (2003) e "The Last Juror" (2004), surgem alguns títulos menos memoráveis, como "Rogue Lawyer" (2015).

"A Delação", numa "Escala Grisham", fica num meio-termo. Dificilmente alguém vai colocar a história entre as melhores já produzidas pelo gênio de Grisham, mas o livro também não merece figurar entre os mais fracos. Apresentando aquele estilo de escrita e trama que Grisham, a esta altura do campeonato, já conduz em modo piloto-automático, "A Delação" não inova muito em relação ao estilo narrativo do autor, mas se destaca por abordar o tema da corrupção judicial (relativamente pouco presente na extensa obra de ficção jurídica de Grisham) e pela história conduzida por uma protagonista feminina bem construída e verossímil, cujos dramas e desafios enfrentados ao longo da história a tornam progressivamente mais próxima do leitor.

Na trama, somos apresentados a Lacy Stoltz, uma investigadora de um órgão chamado Conselho de Conduta Judicial da Flórida. O órgão não está acostumado a grandes emoções, tendo como função basicamente apurar denúncias de pequenas infrações éticas por parte de juízes. Sem estrutura para lidar com casos de maior gravidade, o órgão é pego de surpresa quando Lacy e seu colega Hugo são procurados por um ex-advogado chamado Greg Meyers, que atira no colo dos investigadores uma denúncia-bomba que, se comprovada, levará ao desmantelamento do maior esquema de corrupção judicial já registrado na história dos Estados Unidos. Pouco depois disso, Lacy e Hugo começam a perceber, da pior forma possível, que desta vez não estão lidando com pequenos abusos de poder ou desvios de caráter, mas sim com uma bem organizada máfia de criminosos profissionais.

Dinâmico e envolvente, "A Delação" tem ótimo ritmo e mantém o leitor interessado no desenrolar da trama da primeira à última página. A conclusão da história, no entanto, peca por ser previsível e sem maiores surpresas, representando uma resolução "morna" para uma trama repleta de momentos de tensão.

Embora a parte final da história seja um pouco burocrática e sem surpresas, as reviravoltas e sobressaltos ao longo da trama são mais do que suficientes não apenas para colocar "A Delação" entre aquelas obras de Grisham que são incapazes de decepcionar os fãs de longa data do autor, mas também como um título apto a arregimentar novos fãs para o mestre dos "romances de tribunais".

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O Caveira resenha: "Mr. Mercedes" (2014), de Stephen King


Esqueça o horror sobrenatural, terreno que King já explorou com maestria tantas vezes ao longo das últimas cinco décadas. Mais do que qualquer outra coisa, "Mr. Mercedes" é uma história de detetive e seus personagens são construídos com os dois pés fincados no chão de um realismo urbano carregado de trivialidade.

Mas não espere uma história de detetive do tipo Agatha Christie, nem algo parecido com um ambiente de filme noir. Neste gênero literário, o que frequentemente faz o leitor devorar o livro é o mistério da identidade do criminoso, a ânsia do leitor em saber a resposta para a singela pergunta: "quem"? O livro de King não poderia passar mais distante desta fórmula tradicional. O autor não apenas revela a identidade do vilão logo no começo da história (para ser sincero, você pode saber o nome do assassino só de ler a orelha do livro!) como boa parte da narrativa se desenvolve pela perspectiva deste cruel antagonista. "Mr. Mercedes" é um romance de detetive no qual o mistério sai de cena para dar lugar a um frenético jogo de gato e rato diante do qual a expectativa do leitor é saber se os "mocinhos" conseguirão deter o criminoso a tempo de impedí-lo de levar adiante seus novos projetos macabros.

Se o vilão da trama foge daquilo que é convencional para o gênero, o mesmo vale para o protagonista. O ex-policial  Bill Hodges é um personagem maravilhosamente verossímil e que exemplifica, pela milésima vez, o conhecido e notório talento de King para criar personagens realistas e carismáticos. Sexagenário, obeso, solitário e aposentado, Hodges é antítese do detetive charmoso, viril e seguro de si que frequentemente identificamos como estereótipo do "detetive" em histórias deste tipo. No início da trama, Hodges não é nada mais do que um gordo velho que passa suas tardes vendo ridículos programas de auditório na televisão. Ele encarna, de certa forma, uma das figuras mais apreciadas por King: a do herói atípico. Não é a primeira vez que King coloca um idoso em uma luta contra forças do mal (veja, a título de exemplo, o ótimo "Insônia" de 1994), mas isso não prejudica a originalidade com a qual ele constrói uma trama detetivesca na qual o herói e o vilão dividem o protagonismo da narrativa de forma intercalada.

Alternando momentos bem humorados com outros de horror psicológico sutil porém perturbador, "Mr. Mercedes" é um thriller que deixa fantasmas, zumbis e criaturas extradimensionais de lado e aposta em um horror que é incômodo sobretudo porque é realista e verossímil. A cabeça do vilão da trama poderia ser a de um colega de trabalho ou  do vizinho que mora aí do seu lado - e talvez seja mesmo!

Aparentemente, o próprio Stephen King sucumbiu ao improvável charme sedutor do sedentário detetive aposentado Hodges, na medida em que o autor transformou o personagem no protagonista de mais dois livros que dão sequência a "Mr. Mercedes": "Finders Keepers" (2015) e "End of Watch" (2016). E pensar que, há mais de quinze anos atrás, King chegou a anunciar a sua "aposentadoria". Hoje ele está com 69 anos e, só nessa década, já lançou oito livros novos. Realmente, quando se trata de heróis sexagenários que se mostram capazes de fazer melhor do que qualquer mocinho mais jovem, nem mesmo o detetive aposentado Hodges pode competir com o mestre King.

terça-feira, 23 de junho de 2015

O Caveira analisa: "Sexta-Feira 13 - Arquivos de Crystal Lake"


 

Nas últimas duas semanas, nas horas vagas, li "Sexta-Feira 13 - Arquivos de Crystal Lake", de David Groove, recentemente lançado por aqui pela editora Darkside. Agora que concluí a leitura, só o que tenho a dizer para os fãs do filme original de 1980 é o seguinte: leiam este livro! Ele cobre toda a história da concepção, filmagem e produção do primeiro e clássico "Sexta-Feira 13", com uma série de fotos, declarações e fatos muito interessantes e que certamente são desconhecidos até pelos fãs mais ardorosos. 

[SPOILER ALERT] 

Seguem abaixo alguns exemplos de curiosidades que eu não sabia sobre o filme e que achei divertidíssimas:

1 - "Sexta-Feira 13" foi filmado na pequena cidade norte-americana de Blairstown, que na época das filmagens (1979) tinha em torno de uns 4.000 habitantes. A produção chamou a atenção do mais famoso morador da pequena cidade, que chegou a visitar o local das filmagens, assistir as gravações de algumas cenas, conversar e fazer festa com os atores e demais profissionais envolvidos na produção. Seu nome? LOU REED! É sério! O padrinho do punk supervisionou a produção do slasher movie mais famoso de todos os tempos! :D

2 - O conceito do filme nasceu ... do nome! O diretor Sean Cunninghan simplesmente pensou que precisava dirigir um filme com um nome impactante e pensou em "Sexta-Feira 13". Era só o que ele tinha. Depois, o início da produção foi pomposamente anunciado em algumas publicações da época, para atrair estúdios e investidores, e mesmo até então só o que existia era o nome do filme e um logo caprichado, feito com letras que quebravam uma vidraça em um efeito 3D. O roteiro só foi ganhar algum mínimo de corpo meses depois, e mesmo na versão final era magrinho, sendo que várias cenas e falas foram improvisadas nas filmagens ou concebidas já na fase de produção. A célebre cena final, que mostra Jason saindo do lago para atacar Alice, só foi criada quando o filme estava quase começando a ser rodado.

3 - A lista de atrizes veteranas para interpretar a Sra. Voorhees incluiu Dorothy Malone, Estelle Parsons, Shelley Winters e Louise Lasser. O nome de Betsy Palmer nem estava entre as possibilidades inicialmente cogitadas. Ela só foi confirmada no papel quando a produção já estava em avançado estado e simplesmente não podia mais continuar sem a sua personagem. Todas as "aparições" parciais da assassina antes da parte final do filme foram gravadas com diferentes pessoas da equipe técnica "interpretando" a personagem, já que Betsy chegou nas filmagens só mais diante.

4 - Betsy Palmer não fazia filmes há um bom tempo e era uma atriz de formação mais teatral. Nas cenas em que ela tinha que bater na personagem de Adrienne King, ela foi lá e simplesmente sentou a mão na atriz, de verdade. O clima ficou meio ruim entre as duas, mas ninguém quis censurar a veterana atriz.

5 - A esposa do diretor Sean Cunningham estava com ele durante as filmagens, participando de aspectos técnicos da produção. Surpreendentemente, sabe-se lá como, isso não impediu que Cunningham e Adrienne King tivessem um caso durante o período. Ironicamente, King interpretava justamente a mocinha virginal e casta do grupo.

Enfim, recomendo a leitura deste imperdível deleite para fãs do cinema de horror.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O Caveira recomenda: AMOR VERISSIMO

Deliciosa leitura de relaxamento entre uma obra acadêmica e outra: "Amor Verissimo". Para mim, Verissimo é disparado o melhor cronista brasileiro vivo. Ele é um escritor versátil e espetacular também em outros formatos, mas é na crônica curta que o autor se move com maestria inigualável.

Este livro reúne 50 crônicas do mestre - inéditas, em sua maioria -, todas tendo como pano de fundo o amor e os relacionamentos amorosos. Difícil escolher um conto preferido entre tantos excelentes, mas "Recaída" e "A Russa do Maneco" estão certamente entre os pontos altos do livro.

Imperdível. Para quem ainda não leu, fica a dica.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O Caveira resenha: O MANIPULADOR, de John Grisham (2012)



"O Manipulador" (The Racketeer, 2012) é o 10º livro de John Grisham que leio desde que me tornei fã da obra dele, em 1999, por intermédio do ótimo "O Advogado". 

Grisham, como quem conhece sua obra sabe, não faz literatura com grande profundidade e trabalha quase sempre dentro de uma certa fórmula padronizada. O autor também não é um grande desenvolvedor de personagens. Mas não pense que é por nada que Grisham reina absoluto na área dos thrillers jurídicos há mais de vinte anos (tendo jogado para escanteio o precursor Scott Turow). O autor é incrivelmente talentoso para contar histórias num ritmo hipnotizante, com uma narrativa ágil e que mantém o leitor preso página após página. É literatura "fast food" de entretenimento, ninguém discute. Mas é da melhor qualidade.

Sem dar maiores spoilers, o livro conta a história de Malcolm Bannister, um ex-advogado afro-americano que ingenuamente se meteu com um cliente sujo e acabou indo parar na cadeia. Mas o seu drama pessoal está com os dias contados quando os Estados Unidos são surpreendidos pelo incomum assassinato de um juiz federal. O FBI começa a fazer de tudo para encontrar o assassino, e Bannister é a única pessoa que sabe a identidade do criminoso. Como o esperto ex-advogado sabe disso? Quem é o assassino? O que Bannister realmente quer para revelar a verdade? Bem ... leia e descubra! :)

Apesar de o livro ser bem recente, já estão em andamento planos para um filme baseado na obra. Até o momento, comenta-se que Denzel Washington seria o favorito para viver Malcolm Bannister no cinema. Particularmente, acho que a história daria um excelente filme! Vamos aguardar ...

Não vou dar nenhum spoiler do livro, mas fica a dica.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Resenha: IRON MAIDEN - RUN TO THE HILLS - A BIOGRAFIA AUTORIZADA (Mick Wall)



Do mesmo autor da bibliografia do Metallica publicada aqui no país pela Editora Globo (clique aqui para ler a resenha do Caveira), o renomado autor de biografias musicais Mick Wall ataca agora com este Iron Maiden - Run to the Hills, contando a história de outra das maiores bandas do heavy metal mundial em todos os tempos.

Devidamente autorizada pela banda (e contando até com um curto prefácio do líder do Maiden, Steve Harris), a biografia conta a história desta lenda do metal desde os primórdios, com os primeiros projetos musicais de Harris na adolescência, até a tour de divulgação do álbum "Dance of Death" de 2003. Trata-se de uma leitura fácil e agradabilíssima para os fãs da banda (não gosta de Iron Maiden? Então clique aqui!), e o que não falta são boas histórias, dada a grandiosidade da longa e rica história do Iron.

Certamente não por coincidência, este livro padece de alguns problemas semelhantes à já referida biografia do Metallica, os quais eu já tinha apontado na resenha desta. Isso evidencia que o problema não estava naquela obra, mas sim no estilo de Wall. Trata-se do seguinte: assim como na biografia do Metallica, também neste livro sobre o Maiden o autor concentra a maior parte do "fôlego" da obra nos primórdios do grupo, contando de forma sumária, "corrida" e menos detalhada a história da banda dos anos 1990 em diante.

Exemplifico: o livro tem 390 páginas. Nada menos do que 261 são gastas para contar a história da banda no período de 13 anos entre 1975 e 1988. Os outros 15 anos da banda (1988-2003) ficaram espremidos nas 129 páginas restantes, das quais 51 são utilizadas para contar o período entre 2000 e 2003.

Resultado: toda a rica história do Iron Maiden nos anos 1990 (a entrada de Janick Gers, o álbum "No Prayer for the Dying", o aclamado álbum "Fear of the Dark", o lançamento de três álbuns ao vivo e da primeira coletânea da história da banda, a polêmica saída de Bruce Dickinson, os cinco anos da "Era Blaze Bayley", os eventos que levaram ao retorno de Bruce e Adrian Smith à banda, etc) são condensados em míseras 78 páginas.

Ou seja: é bem provável que você descubra fatos novos e fascinantes sobre a primeira década do Maiden. Mas, se você já é fã do grupo há algum tempo e tem razoável conhecimento sobre a história da banda, provavelmente vai dar de cara com pouca (ou nenhuma) novidade sobre a história da banda nos anos 90. Uma pena. Aparentemente, este é um defeito sistemático nas biografias de autoria de Wall, que não consegue manter o mesmo fôlego informativo (e de pesquisa) nos estágios mais avançados das bandas cujas histórias resolve contar.

De qualquer forma, estas falhas pontuais não mudam o fato de que Run to the Hills é uma ótima e imperdível leitura para os fãs do Maiden, e a história que o livro conta torna mais fácil de entender as razões que levaram o projeto do jovem e determinado Harris a se tornar um dos maiores ícones da história do heavy metal de todos os tempos. Não deixe de conferir! 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Resenha: METALLICA - A BIOGRAFIA (Mick Wall)


Os fãs do Metallica não podem deixar de ler a biografia lançada aqui no país há poucos meses pela Editora Globo. De autoria de Mick Wall, um jornalista britânico especializado em escrever sobre música, METALLICA - A BIOGRAFIA narra, de forma empolgante e repleta de detalhes, as origens daquela que viria a se tornar a maior banda de heavy metal de todos os tempos.

Como fanático pela banda desde os idos de 1996, naturalmente devorei as quase 450 páginas do livro em questão de poucos dias. Muito do que é contado nele já era do meu conhecimento, tratando-se de informações que eu já havia lido ao longo dos anos em especiais de revistas de música e/ou na internet. Mesmo assim, acabei descobrindo bastante coisa nova sobre a megabanda que começou como uma improvável parceria entre um baterista que praticamente não sabia tocar bateria e um vocalista tímido que praticamente não era capaz de cantar.

Embora seja uma leitura obrigatória para os fãs - e sugerida também para qualquer um que aprecie rock em geral, o livro não é isento de falhas. A meu ver, o maior problema na biografia escrita por Mick Wall reside no fato de que o livro claramente concentra o seu "fôlego" no espaço de tempo que vai do surgimento da banda até a morte do baixista Cliff Burton no meio da tour do terceiro álbum da banda, o hoje clássico e lendário Master of Puppets (1986).

Toda a história do Metallica desde a entrada do substituto Jason Newsted até os dias atuais - incluindo a chegada da banda ao ápice de seu sucesso comercial com o seminal Black Album de 1991 - é contada de forma excessivamente acelerada e pobre em detalhes. É quase como se o livro fosse sobre a história da banda entre os primeiros dias e a morte de Burton, com as mais de duas décadas seguintes entrando na narrativa quase como na forma de um rápido "bônus" para o leitor. Embora na prática esse período represente algo em torno de 200 páginas do livro, a sensação que fica é que, nessa segunda metade do livro, a narrativa se torna mais genérica e menos aprofundada, como se simplesmente não houvesse mais nada de interessante para ser contado sobre o Metallica depois de Master of Puppets.

Apesar da menor densidade narrativa e de uma menor atenção aos detalhes, é preciso dizer que as épocas referentes aos álbuns And Justice For All (1988) e ao Black Album até que são exploradas ainda com certa atenção na obra de Mick Wall. Infelizmente, no entanto, a história da banda a partir de meados dos anos 1990 até os dias atuais é contada de forma excessivamente genérica e "corrida". Se você quer conhecer a história da banda na época dos polêmicos álbuns Load (1996) e Reload (1997), aviso desde já que esta biografia se mostra sucinta e breve (e um pouco insatisfatória e decepcionante, devo dizer) em relação a tais períodos da história da banda.

De qualquer forma, o livro é muito bem escrito, extremamente informativo e divertidíssimo para quem é fã da banda. Seja para conferir dados e informações já conhecidos, seja para tomar conhecimento de mais fatos e pessoas envolvidas com o surgimento e ascensão do Metallica, trata-se de um livro que, creio eu, será bem apreciado por qualquer fã de rock (principalmente do hard rock e heavy metal dos anos 80) e que, especificamente para os fãs do Metallica, é absolutamente imperdível.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Livros que ando lendo e comprando


Semana passada dei um golpe de sorte: numa promoção, comprei a sensacional coleção Guia do Mochileiro das Galáxias do Douglas Adams, no site Submarino, por inacreditáveis R$ 20,00! Sim, cinco livros por vinte reais!

O preço normal da coleção (R$ 69,90) já é bom, mas por vinte pilas chega a ser até difícil de acreditar. Eu próprio só acreditei que era verdade quando os livros chegaram pelo correio.

Estou relendo o primeiro livro da série como "aquecimento" para ler os outros. É sensacional, se você nunca leu, não perca. O Douglas Adams escreve com aquele humor britânico insano claramente inspirado pelo grupo Monty Phyton. O Guia do Mochileiro das Galáxias parece mesmo uma mistura de Phyton com Star Trek. Ou seja, imperdível.



Outra barbadinha é As Crônicas de Nárnia, lançado agora em um volume único de 792 páginas, contendo todos os livros da série. O preço está inacreditável: apenas R$ 19,90 (e a promoção ainda continua lá no Submarino!). Não que eu seja um grande fã de Nárnia - na verdade esse eu comprei para a Suzan, mas por esse preço quem curte não pode deixar de comprar.


Igualmente inacreditável é o preço que paguei pela coleção completa (4 livros) de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley: R$ 19,90! O preço normal de R$ 49,90 já é uma vergonha de tão barato, mas nessa promoção que peguei os livros são praticamente dados!



Em fevereiro comprei A Dança da Morte, do Stephen King, um dos maiores clássicos do cara. Esse é uma bela "facada", custou R$ 99,00 - mas é preciso levar em consideração que a criança tem nada menos do que 940 páginas. Já li mais de 15 livros de King da adolescência até aqui, mas sempre tive muita curiosidade em ler A Dança da Morte, frequentemente considerado como sendo o melhor livro dele. O problema está sendo encontrar tempo para ler esse monstrengo, estou apenas na página 205 por enquanto! O livro já era bem grande no original, e essa edição que comprei é a versão ampliada, que tem umas 500 páginas a mais do a original. É pra ter uma overdose de Stephen King!



Outro livro do cara que eu queria ler há anos é o On Writing, mas até hoje o livro nunca foi lançado por aqui! Há algumas semanas atrás, perdi a paciência e comprei uma edição usada em inglês por míseros R$ 18,00. Estou quase no fim do livro, e é realmente ÓTIMO! Não dá pra entender por que não lançam uma versão em português.



De resto, ainda tem uma série de livros para o mestrado que comprei recentemente, e que estão aqui na fila para serem lidos: Elementos de Filosofia Constitucional (André Leonardo Copetti Santos), Retórica e o Estado de Direito (MacCormick), O Que é Isto - Decido Conforme Minha Consciência? (Lenio Luiz Streck), Domínio da Vida (Ronald Dworkin), Justiça de Toga (Ronald Dworkin) e Manual de Filosofia Geral e Jurídica (Flamarion Tavares Leite). No momento, estou lendo Modernidade Líquida (Zygmunt Bauman) e  Organización Del Poder Y Libertad, do Nicola Matteucci.

Enfim, haja tempo para botar as leituras em dia!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ampliando a minha coleção de MADs


Hoje recebi pelo correio mais duas MADs para a minha coleção. Uma é o número 12, de julho de 1985, cuja capa faz uma sátira com o clássico Space Invaders, um game que "bombava" ainda naquela época. A outra é o número 59, de dezembro de 1989, que tirava um sarro com a Xuxa e com a Angélica.


Eu me tornei fã da MAD aos sete anos de idade, em junho de 1989, quando meu pai me comprou o nº 54 da revista (que tinha o Faustão na capa). Imediatamente eu me apaixonei pelo humor insano, pelas tirinhas mudas do Aragonés, pela estripulias homicidas do Spy vs Spy, pela Dobradinha MAD, pelas Respostas Cretinas Para Perguntas Imbecis, pela gags malucas do Don Martin e, enfim, por todo aquele humor bizarro e único que só a MAD tinha. 


Pelos próximos três anos, eu passei a acompanhar a revista religiosamente, aguardando todos os meses com impaciência e ansiedade até que a edição seguinte da revista aparecesse nas bancas. Entre 1992 e 1993, no entanto, comecei a achar que a revista já não tinha mais a mesma qualidade, e aos poucos fui deixando-a de lado. É por isso que essas edições dos anos 80 até 1991/1992 representam a minha fase favorita da revista.


A história da MAD aqui no Brasil é longa, mas um tanto turbulenta. A revista foi originalmente lançada no país em julho de 1974, pela finada Editora Vecchi. Essa clássica época, a "primeira edição" da MAD brasileira, durou até janeiro de 1983. Em julho de 1984, a MAD nacional "renasceu" na Editora Record. Essa "segunda edição" da revista foi a mais duradoura de todas, e se manteve firme no mercado até agosto de 2000. A primeira década dessa "fase Record" da MAD brasileira representa a fase que conheci quando criança e, por tabela, a minha favorita até hoje. Minha coleção pessoal já conta com a maior parte das revistas dessa época, mas ainda faltam umas e outras.

A terceira edição da MAD, dessa vez pela Editora Mythos, foi de dezembro de 2000 até dezembro de 2006. Atualmente (desde março de 2008), a revista está em sua quarta edição, pela Editora Panini. Mas, sinceramente, essas séries da Mythos e Panini já não me despertam mais qualquer interesse. Eu já achava que a MAD estava decadente na metade dos anos 90, e a coisa certamente não melhorou. 

Não me entendam mal, não é culpa do pessoal responsável pela revista aqui no Brasil. O problema é que, embora sempre tenham existido vários talentos nacionais na MAD brasileira (Ota, Flávio, Vilmar, só pra citar alguns dos meus prediletos que lembro de cabeça), o "filé" do material vinha de fora - eram as pérolas criadas por Al Jaffee, Aragonés, Antonio Prohías, Don Martin, Duck Edwig, Dave Berg, etc. Essa turma era chamada pela MAD americana de "The Usual Gang of Idiots" (Os Mesmos Idiotas de Sempre), e era um grupo incrível de talentos inimitáveis. 


Simplesmente não há como reproduzir a genialidade daquela época. O genial e insubstituível Don Martin, conhecido como "O Mais Louco do Mad", morreu em 2000. Al Jaffee está com 89 anos. Prohías (criador da célebre tira Spy vs Spy) morreu em 1998 - e eu sempre achei que a tirinha, depois que passou a ser desenhada por Peter Kuper, perdeu completamente sua atmosfera e graça. Dave Berg (célebre pela sessão "O Lado Irônico" da revista) morreu em 2002. Duck Edwig está com 76 anos. Da velha guarda "clássica" da MAD americana, só quem está firme e forte na ativa ainda é Aragonés, hoje com 73 anos. 

 

Enfim, é uma perda de tempo tentar resgatar a sensibilidade humorística única que a MAD tinha nos idos dos anos 70 e 80. O negócio é correr atrás do material antigo, que é vasto e simplesmente imperdível. Eu ainda tenho poucos números da Editora Vecchi, mas pretendo "correr atrás do prejuízo" nos próximos anos e assegurar a integridade da minha coleção.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

IN THEIR OWN WORDS


Ei, vejam que legal! A BBC liberou para o público, no seu site, uma seção chamada "In Their Own Words", que reúne diversos programas e entrevistas com vários dos mais importantes escritores britânicos do século XX, como J.R.R Tolkien (de joelhos, agora!!!), Virginia Woolf, William Golding e Aldous Huxley.

http://www.bbc.co.uk/archive/writers/


PS - Não, não tem a J.K Rowling, seu animal!

sábado, 3 de abril de 2010

O Último Jurado


Hoje terminei de ler O Último Jurado, de John Grisham. É o sétimo livro do cara que eu leio desde 1999, quando li o primeiro - O Advogado - e virei fã do estilo dele. Grisham é uma leitura fácil, quando a pessoa se dá conta já leu trinta ou quarenta páginas e mal piscou. Eu gosto da maneira como ele trabalha as relações entre as pessoas. Não acho que ele seja um criador de personagens tão genial quanto Stephen King, por exemplo. King dá tamanha profundidade humana para seus personagens que, geralmente ali pelo final do primeiro terço do livro, o leitor já sente como se o protagonista da história fosse um velho amigo seu. Grisham não aprofunda tanto os personagens, mas desenvolve de maneira interessante os conflitos e amizades entre as pessoas, e consegue orquestrar dezenas de personagens na história sem confundir o leitor.

O Último Jurado foi lançado em 2004 e conta a história de um jovem de apenas 23 anos chamado Willie Traynor, que no começo dos anos 70 se muda para a fictícia cidade interiorana de Clanton, no Mississipi e - com dinheiro emprestado de sua avó - compra o falido jornal local, The Ford County Times. Traynor consegue reerguer o jornal aos poucos, e é ajudado nessa tarefa por conta de imensa repercussão causada pelo brutal estupro e assassinato de uma jovem moradora da cidade. O assassino, Danny Padgitt - membro de uma rica família meio mafiosa - é levado a júri e condenado. Nove anos depois, o sujeito é colocado em liberdade condicional. E aí os jurados começam a morrer.

O Último Jurado não traz grandes reviravoltas ou surpresas, não apresenta maiores mistérios e não tem muito clímax. É uma história "simples" e verossímil, centrada nas relações do protagonista com a nova comunidade na qual se integra, nas suas amizades e conflitos e na sua incorporação ao papel social que ele desempenha na pequena Clanton. Não é de tirar o fôlego como O Júri (talvez o melhor livro de Grisham), mas é mais uma demonstração de competência do autor - não é à toa que ele já vendeu 250 milhões de livros ao redor do mundo.

Recomendo.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

HORROR SHOW - uma revista que deixou saudades

No verão de 1997, eu estava passando uns dias na casa de praia de um amigo e, dando uma espiada numa banca, esbarro com uma revista que eu nunca tinha visto antes, chamada HORROR SHOW, com um vampirão na capa.



É claro que comprei o negócio na hora, pois já era um fanático por arte de horror naqueles tempos. A medida em que eu lia a revista, ficava babando: horror italiano, Stephen King, Contos da Cripta, vampiros, Alien, Christopher Lee, Vampirella, Psicose, horror no heavy metal ... parecia não existir uma coisa legal sobre terror que a revista não abordasse! Naqueles tempos em que o acesso à internet ainda era eventual e em que a rede não tinha a riqueza de fontes de informação que tem hoje, uma revista inteira voltada exclusivamente para arte de horror era, para mim, um verdadeiro tesouro!

Lembro com carinho desta primeira edição porque foi através dela que eu ouvi falar pela primeira vez do insano musical The Rocky Horror Picture Show, hoje um dos meus filmes prediletos. Foi também por causa da notícia sobre o lançamento do livro Spaguetti Nightmares que eu comecei a ir atrás de filmes de horror italianos de pesos-pesados como Dario Argento e Mario Bava.


O número 2 da revista também foi legal, trazendo na capa o então recente filme Marte Ataca. A revista trazia uma ótima matéria sobre a Kripta, publicação nacional de quadrinhos de terror dos anos 70, cujo material vinha das revistas americanas Creepy e Eerie. A revista ainda me deixou babando pelo livro O Corredor da Morte, de Stephen King, que eu leria depois e que até hoje considero um dos melhores de King.


A Horror Show nº 3 trazia na capa a gostosíssima Julie Strain, Garota do Ano da Playboy americana em 1993 e estrela de dezenas de filmes trash de terror. Também tinha uma matéria legal sobre games de computador com temática de horror, comentando alguns sucessos da época como Hell, Phantasmagoria e Shivers. A matéria sobre arte de horror em capas de discos de heavy metal apresentava algumas ilustrações inesquecíveis de álbuns do Entombed, Morgoth, Celtic Frost e Autopsy.


Infelizmente, o mercado editoral brasileiro mostrou não ter espaço para uma publicação desse tipo. Mesmo com a redução de preço a partir do número 3, a quarta edição de Horror Show foi a última da revista. Entre os destaques desse número derradeiro, está uma entrevista excelente com o roteirista R.F Luccheti (já citado várias vezes nos meus posts sobre a revista Spektro aqui na Cripta) e uma matéria sobre o célebre ator Peter Cushing, falecido em 1994. Apesar de alguns bons momentos, a revista simplesmente já não apresentava o mesmo vigor e qualidade do primeiro número, talvez já como reflexo da extinção iminente da publicação.

Horror Show foi uma grande iniciativa da Editora Escala e é realmente uma pena que não tenha dado certo no difícil mercado brasileiro, inóspito para publicações do gênero. Para os fãs de terror como eu, foi uma breve porém grata surpresa. Anos mais tarde, algo semelhante aconteceria com a interessante (porém igualmente breve) revista Cine Monstro, mas isso já é assunto para outra hora.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Literatura da Cripta: INVASORES DE CORPOS


(Postado originalmente no antigo endereço da Cripta em 06/01/2005)
Degustei nos últimos dias o clássico da literatura de horror OS INVASORES DE CORPOS, de Jack Finney
O doutor Miles e a bela Becky (habitantes de uma pequena cidade do interior da Califórnia chamada Mill Valley) vêm suas vidas se transformarem num pesadelo do dia para a noite quando percebem que a população inteira parece estar sendo substituída por clones desprovidos de emoções humanas
Além de ser uma ótima história de terror (e com excelente narrativa), é impossível não traçar um paralelo entre o horror fictício da história (escrita em 1955) e o medo que os americanos tinham do Império Soviético do outro lado do mundo, marcado por um regime uniformizante e castrador das individualidades da população. O medo que os personagems têm de se tornarem clones de origem vegetal-alienígena parece análogo ao medo de ter sua cidade invadida por comunistas, silenciando tudo e todos e instaurando o império do Partido Onipresente. 
Vale destacar que alguns filmes foram feitos com base nesta obra, mas o único que eu vi é um do começo dos anos 90, estrelado pela Gabriele Anwar (que até dá um belo caldo, eu não culpo os invasores por quererem invadir o corpo dela).