Por uma mistura de falta de tempo com esquecimento, acabei deixando de registrar aqui na minha querida cripta um notável feito terrorífico-cinéfilo: em outubro do ano passado, em clima de Halloween, eu finalmente completei todos os 26 filmes da lista MADRUGADAS MALDITAS.
Você certamente está pensando: "Tá, e que raios vem a ser a 'lista Madrugadas Malditas'?". Calma, Bete, já vou explicar!
Lá pelos idos de 1996, comprei numa banca de Porto Alegre o GUIA DE VÍDEO TERROR da Editora Escala, de autoria do Guilherme de Martino. Numa época em que a internet ainda era muito limitada em conteúdo (e o acesso, pelo menos aqui no Brasil, ainda era pouco mais do que uma curiosidade e uma prática esporádica), este livrinho serviu como uma pequena enciclopédia de filmes de horror para mim. De lá para cá, eu já vi algo em torno de 179 filmes comentados no guia.
Em algum ponto entre os anos de 1999 e 2000, eu arranquei uma folha de caderno e, usando o guia como referência, fiz à caneta uma lista de 26 filmes de terrãr que seriam a minha prioridade para os anos seguintes. O critério que utilizei foi o seguinte: só entrariam na lista filmes avaliados, no guia, com três estrelas ou mais. A ideia era fazer uma espécie de "best of" dos filmes resenhados no livrinho.
Pois bem: um quarto de século se passou desde a elaboração da minha lista Madrugadas Malditas, e 10 dos 26 filmes da lista ainda estavam "em aberto". Chegamos então em outubro de 2025. Empoderado pelos espíritos do Haloween, decidi partir para algumas expedições arqueológicas na internet para desenterrar as velharias e fazer um intensivo terrorífico. Com isso, vi ao longo do mês todos os 10 filmes que ainda faltavam.

Entre estes dez filmes, está "O Fantasma da Ópera" de 1989 com o Robert Englund. Vi partes dele na infância, numa vez que foi exibido pelo SBT, e lembro de ter ficado todo cagado de medo. Há décadas queria vê-lo do começo ao fim. Vi também "The Hills Have Eyes", de 1977, um clássico absoluto do mestre Wes Craven que, inexplicavelmente, havia escapado de mim por décadas. Também rolou "O Pássaro das Plumas de Cristal" (1970) do Argento, o interessante "Ghost Town" de 1988 (lembro que eu achava muito legal a capa do VHS deste filme nas locadoras, no começo dos anos 1990), o bizarro e repulsivo "Sociedade dos Amigos do Diabo" (1989), "Exército do Extermínio" (1973) do lendário George Romero, "Lady in White" (1988), "The Pit and the Pendulum" (1991), Puppet Master (1989) e o clássico "O Que Terá Acontecido com Baby Jane?" original de 1962.
Enfim, esse era o post. Demorou 25 anos, mas eu finalizei a venerável e bizantina lista Madrugadas Malditas (aquela velha folha de caderno, hoje, parece um papiro removido da tumba de algum faraó do antigo Egito). Fiz isso no meu ritmo muito peculiar: levei duas décadas e meia para ver 16 filmes e, depois disso, vi os 10 filmes restantes em um único mês! Que posso dizer? É o jeitinho do Caveira! Mas, brincadeiras à parte, é preciso reconhecer o óbvio: hoje em dia é MUITO mais fácil ter acesso a velharias exóticas. Não dá nem para comparar com a época dos primórdios da popularização da internet, quando ainda dependíamos quase que exclusivamente de velhas fitas VHS.
Será que um dia vou chegar a ver todos os filmes do Guia de Terror? Acho improvável. São 470 filmes, dos quais até hoje eu vi menos de 200. E realmente não sei se, nesta altura da vida, ainda tenho paciência para perder uma hora e meia do meu tempo vendo alguma atrocidade do tipo "A Vingança Será Minha" ("The Severed Arm", de 1978), descrito no guia como "uma chatice interminável que, para piorar, insiste em uma ambientação noturna com uma fotografia escurecida que perde muito em vídeo", e que tem um "final surpresa, para quem aguentar chegar lá".
Mas, enfim, quem sabe? Nunca diga "desta água não beberei", porque vai que bebereis, né? Que a vida possa nos proporcionar ainda muitas Madrugadas Malditas de diversão e entretenimento cinéfilo-terrorífico!


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