sábado, 22 de agosto de 2026

DEPOIS DE 25 ANOS, A LISTA "MADRUGADAS MALDITAS" FOI CONCLUÍDA!

Por uma mistura de falta de tempo com esquecimento, acabei deixando de registrar aqui na minha querida cripta um notável feito terrorífico-cinéfilo: em outubro do ano passado, em clima de Halloween, eu finalmente completei todos os 26 filmes da lista MADRUGADAS MALDITAS.

Você certamente está pensando: "Tá, e que raios vem a ser a 'lista Madrugadas Malditas'?". Calma, Bete, já vou explicar! 

Lá pelos idos de 1996, comprei numa banca de Porto Alegre o GUIA DE VÍDEO TERROR da Editora Escala, de autoria do Guilherme de Martino. Numa época em que a internet ainda era muito limitada em conteúdo (e o acesso, pelo menos aqui no Brasil, ainda era pouco mais do que uma curiosidade e uma prática esporádica), este livrinho serviu como uma pequena enciclopédia de filmes de horror para mim. De lá para cá, eu já vi algo em torno de 179 filmes comentados no guia.

                                         
 

Em algum ponto entre os anos de 1999 e 2000, eu arranquei uma folha de caderno e, usando o guia como referência, fiz à caneta uma lista de 26 filmes de terrãr que seriam a minha prioridade para os anos seguintes. O critério que utilizei foi o seguinte: só entrariam na lista filmes avaliados, no guia, com três estrelas ou mais. A ideia era fazer uma espécie de "best of" dos filmes resenhados no livrinho.                                    


Aqueles de vocês que são mais jovens talvez terão dificuldades de entender como era difícil, naqueles tempos, correr atrás de filmes antigos fora do mainstream. A gente dependia basicamente do acervo físico de locadoras ou da sorte de alguma dessas coisas ser exibida aleatoriamente num canal aberto ou da TV a cabo. Por exemplo: lá pela virada do milênio, eu lembro de ter visto na Band um remake do clássico "O Que Terá Acontecido com Baby Jane?", mas o original de 1962 (avaliado com quatro estrelas pelo guia) era basicamente impossível de ser encontrado. 

Pois bem: um quarto de século se passou desde a elaboração da minha lista Madrugadas Malditas, e 10 dos 26 filmes da lista ainda estavam "em aberto". Chegamos então em outubro de 2025. Empoderado pelos espíritos do Haloween, decidi partir para algumas expedições arqueológicas na internet para desenterrar as velharias e fazer um intensivo terrorífico. Com isso, vi ao longo do mês todos os 10 filmes que ainda faltavam. 

                           

Entre estes dez filmes, está "O Fantasma da Ópera" de 1989 com o Robert Englund. Vi partes dele na infância, numa vez que foi exibido pelo SBT, e lembro de ter ficado todo cagado de medo. Há décadas queria vê-lo do começo ao fim. Vi também "The Hills Have Eyes", de 1977, um clássico absoluto do mestre Wes Craven que, inexplicavelmente, havia escapado de mim por décadas. Também rolou "O Pássaro das Plumas de Cristal" (1970) do Argento, o interessante "Ghost Town" de 1988 (lembro que eu achava muito legal a capa do VHS deste filme nas locadoras, no começo dos anos 1990), o bizarro e repulsivo "Sociedade dos Amigos do Diabo" (1989), "Exército do Extermínio" (1973) do lendário George Romero, "Lady in White" (1988), "The Pit and the Pendulum" (1991), Puppet Master (1989) e o clássico "O Que Terá Acontecido com Baby Jane?" original de 1962.

Enfim, esse era o post. Demorou 25 anos, mas eu finalizei a venerável e bizantina lista Madrugadas Malditas (aquela velha folha de caderno, hoje, parece um papiro removido da tumba de algum faraó do antigo Egito). Fiz isso no meu ritmo muito peculiar: levei duas décadas e meia para ver 16 filmes e, depois disso, vi os 10 filmes restantes em um único mês! Que posso dizer? É o jeitinho do Caveira! Mas, brincadeiras à parte, é preciso reconhecer o óbvio: hoje em dia é MUITO mais fácil ter acesso a velharias exóticas. Não dá nem para comparar com a época dos primórdios da popularização da internet, quando ainda dependíamos quase que exclusivamente de velhas fitas VHS.

Será que um dia vou chegar a ver todos os filmes do Guia de Terror? Acho improvável. São 470 filmes, dos quais até hoje eu vi menos de 200. E realmente não sei se, nesta altura da vida, ainda tenho paciência para perder uma hora e meia do meu tempo vendo alguma atrocidade do tipo "A Vingança Será Minha" ("The Severed Arm", de 1978), descrito no guia como "uma chatice interminável que, para piorar, insiste em uma ambientação noturna com uma fotografia escurecida que perde muito em vídeo", e que tem um "final surpresa, para quem aguentar chegar lá". 

Mas, enfim, quem sabe? Nunca diga "desta água não beberei", porque vai que bebereis, né? Que a vida possa nos proporcionar ainda muitas Madrugadas Malditas de diversão e entretenimento cinéfilo-terrorífico!





domingo, 29 de março de 2026

O Caveira resenha: GRADUATION DAY (1981)

O Caveira está de volta!!! 

Eu sei, eu sei, foram nada menos do que DOIS ANOS E CINCO MESES sem dar sinal de vida morta-viva por aqui. É o maior sumiço do Caveira em toda a história da nossa velha e querida Cripta, mas nada temam: o Caveira some mas não morre, pelo menos não por enquanto (como diria Tyler Durden em O Clube da Luta, "até a Mona Lisa está se deteriorando"!).

Hoje compartilho com vocês um slasher movie de 1981 sobre um assassino passando estudantes na faca numa escola. 

"Ah, eu sei que filme é esse, Caveira: é PROM NIGHT (A Morte Convida para Dançar), de 1980!". Ahnnn, não, estou falando de OUTRO slasher com um assassino matando alunos de uma escola. 

"Ah, já sei, então é FINAL EXAM ("A Hora das Sombras"), de 1981!". Ahnnnn ... NOPE! Estou falando de OUTRO slasher de gurizada de escola sendo trucidada!

"Ah, então só pode ser SLAUGHTER HIGH, de 1981!". Ahnnnn, não, não é. Estou falando de OUTRO slasher de adolescentes sendo mutilados por um maluco numa escola e ... pô, mas peraí, quantos slashers com a mesmíssima premissa existem nesse período do começo dos anos 1980? Se bem que, pra ser justo, Final Exam se passa num campus universitário e não numa escola de ensino médio (uau, GRANDE diferença!). 

American Genre Film Archive GRADUATION DAY

Bom, acho que já deu pra ver que GRADUATION DAY não é exatamente original, né? O filme foi lançado no auge da popularidade dos slashers e, acredite se puder, NO MESMO DIA do lançamento de Sexta-Feira 13, Parte 2: 01 de maio de 1981 (uma sexta-feira, é claro). É claro que não existe sequer comparação possível entre esse filminho mediano e a icônica e clássica continuação do lendário Sexta-Feira 13, mas isso não parece ter prejudicado o desempenho de bilheteria de Graduation Day nos EUA. Com um orçamento magérrimo de apenas 250.000 dólares (menos da metade do orçamento modesto do primeiro Sexta-Feira 13 de 1980), Graduation Day faturou mais de 1 milhão de dólares nos cinemas norte-americanos. Nada mau para uma produção independente e de baixo orçamento! 


Vamos à trama: a jovem Laura é uma colegial atleta de uma escola de cidade pequena, que dá tudo de si numa apresentação de corrida do colégio, registra um tempo excelente e ... cai morta na hora, ali mesmo, para perplexidade geral. Acontece que a menina tinha algum problema cardíaco desconhecido. Triste, mas fim da história então, certo? Vamos para os créditos e ... 

Só que não. Senta aí que tem mais. Dois meses depois da morte trágica de Laura, sua irmã mais velha Anne, uma oficial da marinha dos EUA, retorna à cidade para participar da cerimônia de graduação da turma de escola de Laura, na qual sua irmã será homenageada. E, à medida que a formatura vai se aproximando, todos os formandos que integravam a turma de atletismo de Laura começam a ser assassinados um por um. Quem será o assassino? O insensível, grosseiro e exigente treinador da equipe? Anne? O enlutado namorado de Laura? O Coronel Mostarda, na sala de estar, com o candelabro? Sem spoilers por aqui: assista o filme e descubra!


Graduation Day não é original, tem um ritmo irregular e, mesmo tendo apenas 1 hora e 36 minutos de duração, se alonga pelo menos uns bons 20 minutos além do que seria necessário, recorrendo a encheções de linguiça sem maior sentido narrativo ou justificativa. As atuações também são irregulares. Há bons nomes na película. O veterano Christopher George entrega uma boa atuação como o treinador, enquanto a scream-queen Linnea Quingley (a eterna punk nudista de cabelos vermelhos Trash do clássico A Volta dos Mortos-Vivos) diverte como a desinibida Dolores. Aliás, me pergunto se Quingley estrelou algum filme nos anos 1980 em que não tenha feito topless diante das câmeras!

 

Michel Pataki rende um certo alívio cômico como o asqueroso Sr. Guglione, diretor da escola, e a pouco conhecida Patch Mackenzie entrega uma boa performance como Anne. Por outro lado, a maior parte do elenco jovem parece selecionada a esmo entre um grupo de figurantes voluntários, e há cenas de um amadorismo digno de um curta-metragem realizado como tarefa de casa por estudantes de primeiro semestre de produção audiovisual. As mortes, em sua maioria, também não chegam a impressionar - mas fique atento, pois há uma cena de decapitação bem legal. E a cena da banda de rock tocando no meio de uma pista circular de jovens andando de patins é o puro suco da primeira metade dos 80s, garantindo um dos momentos mais divertidos do filme.

 


Pode não parecer muita coisa e ... bem, não é mesmo. Mas, se você curte slashers, não deixe de dar uma chance para esse filme. Você não vai chegar a ficar surpreso com a revelação da identidade do assassino (a menos que tenha dormido durante o filme, ou que tenha um QI menor do que a temperatura ambiente). Mas a sequência final, embora desnecessariamente alongada, reserva uma surpresa legal e algumas cenas interessantes, que contribuem para um saldo final mais positivo. Graduation Day não é um slasher tão bom quanto outros exemplares do gênero lançados no mesmo ano (como The Burning, The Prowler, Happy Birtyhday to Me, My Bloody Valentine ou Friday the 13th Part II), mas com certeza merece uma conferida e não deve ser ignorado pelos fãs do gênero.   


Uma curiosidade final: Graduation Day ficou virtualmente desconhecido no Brasil por décadas. Não foi lançado por aqui em VHS nos anos 1980 e 1990, não entrou na grade habitual de programação da televisão aberta e, até onde pude verificar, não consta sequer que tenha recebido um lançamento no circuito comercial dos nossos cinemas na época. Por isso, se você estava lendo esse review e pensando "ué, mas como é que eu nunca ouvi falar desse filme?", a explicação está aí. Mas, mesmo depois de 45 anos, nunca é tarde para ser surpreendido por "novos" exemplares da Era de Ouro dos Slashers.




O Caveira recomenda! 

Nota: 💀💀💀