domingo, 29 de março de 2026

O Caveira resenha: GRADUATION DAY (1981)

O Caveira está de volta!!! 

Eu sei, eu sei, foram nada menos do que DOIS ANOS E CINCO MESES sem dar sinal de vida morta-viva por aqui. É o maior sumiço do Caveira em toda a história da nossa velha e querida Cripta, mas nada temam: o Caveira some mas não morre, pelo menos não por enquanto (como diria Tyler Durden em O Clube da Luta, "até a Mona Lisa está se deteriorando"!).

Hoje compartilho com vocês um slasher movie de 1981 sobre um assassino passando estudantes na faca numa escola. 

"Ah, eu sei que filme é esse, Caveira: é PROM NIGHT (A Morte Convida para Dançar), de 1980!". Ahnnn, não, estou falando de OUTRO slasher com um assassino matando alunos de uma escola. 

"Ah, já sei, então é FINAL EXAM ("A Hora das Sombras"), de 1981!". Ahnnnn ... NOPE! Estou falando de OUTRO slasher de gurizada de escola sendo trucidada!

"Ah, então só pode ser SLAUGHTER HIGH, de 1981!". Ahnnnn, não, não é. Estou falando de OUTRO slasher de adolescentes sendo mutilados por um maluco numa escola e ... pô, mas peraí, quantos slashers com a mesmíssima premissa existem nesse período do começo dos anos 1980? Se bem que, pra ser justo, Final Exam se passa num campus universitário e não numa escola de ensino médio (uau, GRANDE diferença!). 

American Genre Film Archive GRADUATION DAY

Bom, acho que já deu pra ver que GRADUATION DAY não é exatamente original, né? O filme foi lançado no auge da popularidade dos slashers e, acredite se puder, NO MESMO DIA do lançamento de Sexta-Feira 13, Parte 2: 01 de maio de 1981 (uma sexta-feira, é claro). É claro que não existe sequer comparação possível entre esse filminho mediano e a icônica e clássica continuação do lendário Sexta-Feira 13, mas isso não parece ter prejudicado o desempenho de bilheteria de Graduation Day nos EUA. Com um orçamento magérrimo de apenas 250.000 dólares (menos da metade do orçamento modesto do primeiro Sexta-Feira 13 de 1980), Graduation Day faturou mais de 1 milhão de dólares nos cinemas norte-americanos. Nada mau para uma produção independente e de baixo orçamento! 


Vamos à trama: a jovem Laura é uma colegial atleta de uma escola de cidade pequena, que dá tudo de si numa apresentação de corrida do colégio, registra um tempo excelente e ... cai morta na hora, ali mesmo, para perplexidade geral. Acontece que a menina tinha algum problema cardíaco desconhecido. Triste, mas fim da história então, certo? Vamos para os créditos e ... 

Só que não. Senta aí que tem mais. Dois meses depois da morte trágica de Laura, sua irmã mais velha Anne, uma oficial da marinha dos EUA, retorna à cidade para participar da cerimônia de graduação da turma de escola de Laura, na qual sua irmã será homenageada. E, à medida que a formatura vai se aproximando, todos os formandos que integravam a turma de atletismo de Laura começam a ser assassinados um por um. Quem será o assassino? O insensível, grosseiro e exigente treinador da equipe? Anne? O enlutado namorado de Laura? O Coronel Mostarda, na sala de estar, com o candelabro? Sem spoilers por aqui: assista o filme e descubra!


Graduation Day não é original, tem um ritmo irregular e, mesmo tendo apenas 1 hora e 36 minutos de duração, se alonga pelo menos uns bons 20 minutos além do que seria necessário, recorrendo a encheções de linguiça sem maior sentido narrativo ou justificativa. As atuações também são irregulares. Há bons nomes na película. O veterano Christopher George entrega uma boa atuação como o treinador, enquanto a scream-queen Linnea Quingley (a eterna punk nudista de cabelos vermelhos Trash do clássico A Volta dos Mortos-Vivos) diverte como a desinibida Dolores. Aliás, me pergunto se Quingley estrelou algum filme nos anos 1980 em que não tenha feito topless diante das câmeras!

 

Michel Pataki rende um certo alívio cômico como o asqueroso Sr. Guglione, diretor da escola, e a pouco conhecida Patch Mackenzie entrega uma boa performance como Anne. Por outro lado, a maior parte do elenco jovem parece selecionada a esmo entre um grupo de figurantes voluntários, e há cenas de um amadorismo digno de um curta-metragem realizado como tarefa de casa por estudantes de primeiro semestre de produção audiovisual. As mortes, em sua maioria, também não chegam a impressionar - mas fique atento, pois há uma cena de decapitação bem legal. E a cena da banda de rock tocando no meio de uma pista circular de jovens andando de patins é o puro suco da primeira metade dos 80s, garantindo um dos momentos mais divertidos do filme.

 


Pode não parecer muita coisa e ... bem, não é mesmo. Mas, se você curte slashers, não deixe de dar uma chance para esse filme. Você não vai chegar a ficar surpreso com a revelação da identidade do assassino (a menos que tenha dormido durante o filme, ou que tenha um QI menor do que a temperatura ambiente). Mas a sequência final, embora desnecessariamente alongada, reserva uma surpresa legal e algumas cenas interessantes, que contribuem para um saldo final mais positivo. Graduation Day não é um slasher tão bom quanto outros exemplares do gênero lançados no mesmo ano (como The Burning, The Prowler, Happy Birtyhday to Me, My Bloody Valentine ou Friday the 13th Part II), mas com certeza merece uma conferida e não deve ser ignorado pelos fãs do gênero.   


Uma curiosidade final: Graduation Day ficou virtualmente desconhecido no Brasil por décadas. Não foi lançado por aqui em VHS nos anos 1980 e 1990, não entrou no circuito habitual de programação da televisão aberta e, até onde pude verificar, não consta sequer que tenha recebido um lançamento no circuito comercial dos nossos cinemas na época. Por isso, se você estava lendo esse review e pensando "ué, mas como é que eu nunca ouvi falar desse filme?", a explicação está aí - e, mesmo depois de 45 anos, nunca é tarde para ser surpreendido por "novos" exemplares da Era de Ouro dos Slashers.




O Caveira recomenda! 

Nota: 💀💀💀


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