quinta-feira, 31 de março de 2011

OZZY em Porto Alegre - 30/03/2011: resenha do show



Voltei agora há pouco do show do Ozzy no Gigantinho, e foi realmente espetacular. O setlist foi excelente (embora sem surpresas em relação às previsões feitas com base nos outros show da atual turnê), a organização do show se deu sem maiores problemas, a banda de apoio é formada por instrumentistas da melhor qualidade e - mais importante de tudo - o velho Ozzy está em excelente forma, com uma performance ao vivo que não deixa a desejar em relação ao que ele fazia há vinte ou trinta anos atrás.

Primeiro, o setlist: foram cinco músicas do clássico álbum Paranoid (1970), do Black Sabbath, o que significa que Ozzy e sua banda executaram simplesmente MAIS DA METADE do disco no show. As escolhidas, que foram aparecendo em diferentes momentos do show, foram "Fairies Wear Boots", "War Pigs", "Rat Salad", "Iron Man" e "Paranoid". Do mais recente álbum de Ozzy, Scream, rolou apenas a ótima "Let Me Hear You Scream".

O resto do show foi um desfile de hits e clássicos da carreira solo do cara, numa seleção que beirou a perfeição, feita para não deixar ninguém insatisfeito. O show já abriu com o hit oitentista "Bark at the Moon", e daí em diante houve uma sucessão de momentos empolgantes como "Mr.Crowley" (cuja introdução fez o Gigantinho parecer palco de uma imensa missa profana), "Road to Nowhere", "Shot in the Dark", "I Don't Want to Change the World", "Crazy Train" e "Mama, I'm Coming Home". Também deram as caras "I Don't Know" e "Suicide Solution", duas músicas que, na minha humilde opinião, poderiam ter sido substituídas por alguns outros sons bem superiores que constam da excelente discografia de Ozzy.

A organização do show, dessa vez, foi bem melhor do que no fatídico show do Iron Maiden em Porto Alegre em 2008, quando a Opinião Produtora hiperlotou a pista do Gigantinho, fazendo com que centenas de pessoas tivessem que sair no meio do show para não desmaiarem e obrigando os mais valentes a se submeterem a um intenso e contínuo sofrimento para ver o show. Dessa vez, a pista estava visivelmente mais organizada e civilizada - lotada, é claro, mas dentro de limites humanamente aceitáveis. Louvável também a pontualidade, na medida em que Ozzy subiu ao palco exatamente às 21 horas, conforme previsto.

Infelizmente, a Opinião deixou novamente a desejar num aspecto muito importante: a organização do evento claramente vendeu mais ingressos de cadeira do que o número de assentos efetivamente disponíveis. Resultado: as pessoas que chegaram por último não encontraram mais cadeiras e tiveram que assistir o show de pé nas escadarias. Além de isso ser um completo desaforo para quem paga R$ 200,00 por um ingresso, é também uma falta de consideração com todos os outros espectadores das cadeiras, que ficaram ser ter como transitar pelo estádio, na medida em que as escadarias estavam completamente abarrotadas de "sem-cadeiras".

Caros amigos da Opinião Produtora: será que custa tanto assim reduzirem um pouquinho o número de ingressos vendidos, para garantir que as pessoas que marcham em duzentos mangos por uma cadeira não sejam ludibriadas e não se vejam obrigadas a verem o show de pé nas escadas, como se estivessem ali de favor? Será que vale à pena tratar o público como gado para vender algumas dezenas de ingressos a mais num show com um público de quinze MIL pessoas?

Quanto à banda de Ozzy, não há nada a dizer além de elogios rasgados. O novo guitarrista Gus G é um monstro no instrumento, o baixista Blasko já matava a pau na banda de Rob Zombie e dispensa maiores apresentações e o baterista Tommy Clufetos é um verdadeiro animal, que desce uma lenha descomunal na sua pobre bateria, fazendo o instrumento ser sentido na caixa toráxica de quem assiste o show. Quem menos aparece na banda é o discreto tecladista Adam Wakeman, que no entanto também tem seu momento na épica introdução de "Mr.Crowley".

Um momento impagável, ocorrido logo no começo do show, se deu quando alguém atirou no palco uma bandeira do Grêmio. Ozzy agarrou a bandeira e se enrolou nela, para deleite dos tricolores presentes e para desgosto absoluto dos colorados, donos do estádio (e que estavam jogando ali do lado, naquele exato momento). Qualquer outro artista do mundo teria sofrido severas vaias de pelo menos metade dos presentes, mas ninguém levantou nem um "ai" contra Ozzy. Só mesmo uma unanimidade absoluta como ele poderia se dar ao luxo de subir no palco do Gigantinho e estender uma bandeira do Grêmio, diante de quinze mil pessoas, sem sofrer qualquer tipo de reação negativa dos presentes.

Ozzy, por fim, é mais do que um "músico": é uma lenda, uma entidade, algo que já está acima de críticas e acima do bem e do mal. Ainda que ele estivesse virado num caco humano, ainda que ele mal conseguisse cantar meia dúzia de músicas, ainda que ele estivesse gagá, AINDA ASSIM seria justificável vê-lo apenas para ser testemunha ocular de uma lenda do rock e de um dos pais fundadores do heavy metal. Mas a realidade é muito melhor do que isso: aos 62 anos, Ozzy está com a voz em perfeitas condições e segue em condições de fazer um show tão bom quanto em qualquer outro momento de sua longa carreira, para alegria e emoção de seus fãs. O público mais jovem talvez ache estranho aqueles "passinhos de vovó" característicos das caminhadas de Ozzy pelo palco, imaginando que isso é um sinal da velhice dele, mas a verdade é que a postura de palco e a expressão corporal do cantor não mudou muito em relação ao que ele fazia há vinte ou trinta anos atrás. A performance de palco de Ozzy pode ser meio caricata e desajeitada, mas isso não é "sinal de velhice": isso É Ozzy ao vivo, como qualquer filmagem dos anos 80 ou 90 pode comprovar para além de qualquer dúvida.

Enfim, volto do show do Ozzy de alma lavada. Além do ótimo espetáculo e da perfeita execução ao vivo de uma dezena e meia de clássicos do heavy metal, ver Ozzy ao vivo é uma experiência que emociona qualquer fã do gênero. Ver uma lenda (que já fazia história antes de eu nascer!) se materializando em carne e osso na sua frente não é coisa que acontece todo dia.

2 comentários:

Let Me Hear Your Scream disse...

Cara, muito bom. Foi espetacular.

E tem mais uma coisa que gostaria de acrescentar.

Produtoras de Porto Alegre... ESQUEÇAM de show em ginásio. Estes tipos de shows (Ozzy, Iron, Metallica e atc.) DEVEM ser feitos em ESTÁDIO ou GRANDES ÁREAS ABERTAS.

O qualidade do som é muito prejudicada.

No geral, velho Madmen sempre emociona.

Joel disse...

Sai de Floripa com meus dois filhos para assistir o show e só posso dizer uma coisa... Iria hoje denovo.
O show foi fantástico!!!
Joel