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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Você sabe o que é uma porcaria? PRAIA NA ALTA TEMPORADA!


Todo mundo acha que praia é legal de verdade nos meses de janeiro e fevereiro, na chamada "alta temporada". Acontece que todo mundo está enganado, essa é simplesmente a PIOR época para estar na praia. Por que? Como "por que", não confia em mim, tá me cobrando explicação, é?!? Bom, tá, como eu sou muito legal eu vou explicar ...

Primeiro, só existem dois tipos de praia: as pequenas e as badaladas. Nas pequenas, na alta temporada, se bobear você não consegue providenciar nem um pão com margarina pro café da manhã. Sem falar que, depois das dez da noite, você morre de fome mesmo que esteja com a carteira recheada de notas de cem reais. 


As praias pequenas simplesmente não conseguem dar conta de fornecer uma estrutura mínima de conforto para as três dezenas de veranistas que a frequentam, e o resultado é que você precisará se deslocar para a praia vizinha para conseguir tomar um sorvete decente - ou para conseguir um repelente de insetos que seja forte o suficiente para afastar aqueles pequenos helicópteros carnívoros do tamanho de uma bola de basquete que atendem pelo nome de "mosquitos" na sua praia.

Mas as praias badaladas são ainda piores. Estar nelas na alta temporada é garantia de sofrimento. Centenas de automóveis e caminhonetes com música bagaceira no último volume infestam as pequenas ruas, avenidas e estradas. A beira da praia torna-se uma caixa de areia onde cada milímetro de espaço é disputado por hordas de bárbaros farofeiros, e qualquer possibilidade de descanso se torna ainda mais improvável.

Menos mal que, quando chove cinco dias seguidos, pelo menos hoje em dia é possível se distrair com comodidades high-tech, como um iPhone, um iPad, um notebook com modem 3G, um videogame portátil, um acelerador de partículas de bolso ou um teletransportador que o materialize novamente em sua casa na cidade. Menos mal. No meu tempo, as opções para aplacar o tédio eram: a) dormir; b) comer; c) ver o único canal de TV cujo sinal pegava; d) reler revistas de uma ou duas décadas atrás que ficaram esquecidas pelos cantos; e) desencarnar de tédio e morrer.


O pior de tudo, no entanto, são os preços do litoral na alta temporada: aquele pastel vagabundo de camarão (que possui 20% de massa frita, 10% de camarão e 70% de recheio de vento) que seria vendido por "dôirreal" em outras circunstâncias aparece subitamente custando R$ 6,99. E tente, TENTE conseguir uma cerveja gelada em algum lugar. Toda bebida, além de ser vendida com preço inflacionado, vem morna como um saco de urina. A alternativa é apelar para uns blocos de gelo (certamente feitos com a água mais imunda imaginável) ou para umas rodelinhas de limão (certamente o limão mais mal lavado da face da Terra). Preço de hotéis e pousadas, então, nem se fala: qualquer casinha de Snoopy vira "quarto de luxo" na alta temporada, onde os preços só não são mais irreais do que as expectativas dos veranistas. 


Sim, eu sei, tem uma série de coisas boas na praia: o sol, o mar, as garotas de biquini. Mas você sabe que irá voltar para sua casa meio branco, meio vermelho, desfigurado pelas picadas de mosquito ou vítima de alguma intoxicação alimentar. Não quero desencorajar nenhum veranista, mas talvez seja o caso de dar um pulinho na praia depois da alta temporada, para ver o que acontece. Salvo engano, o mar continuará no mesmo lugar. E as caminhonetes tocando o insuportável novo hit do Michel Teló já terão ido embora. Bem, pelo menos a maioria delas ...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Você sabe o que é uma porcaria? PISCINAS EM PRÉDIOS!



Ah, o verão! Praia, garotas de biquini, cerveja com batata frita, sorvete, a sua pança brancona saliente para fora daquele calção ridículo que mofa no seu armário o resto do ano inteiro, sombra e ÁGUA! Muita água! Água gelada, banhos, mar ... e piscinas.

Esta é a época preferencial para vítimas inocentes depositarem suas esperanças em um dos maiores engodos da humanidade: a piscina do prédio!

Na sua imaginação, a piscina do prédio sempre aparece como uma espécie de versão subaquática do salão de festas do condomínio. Água clarinha e tratada, você ali numa boa tomando sua birita, eventualmente interrompido apenas por uma ou duas vizinhas gatíssimas e super dispostas a ficarem seminuas bem pertinho de você.

 
A piscina do seu prédio, na sua imaginação.


Só que nada disso é verdade. Uma piscina de condomínio significa apenas uma coisa: que uma indesejável pluralidade de seres humanos se utiliza delas, o que inclui crianças mijonas, que certamente não estão dispostas a abandonar suas brincadeiras na água e correr para o banheiro apenas para descarregar aquela inoportuna carga de urina que podem muito bem despejar ali mesmo, no meio da "sua" piscina.

É, eu sei, a realidade é uma puta de uma estraga-prazeres, não é mesmo? Mas é isso aí mesmo: a piscina do seu prédio não é a Lagoa Azul. As garotas assanhadas, bronzeadas e de fio dental (e que pedem para você passar bronzeador nelas, não é assim que funciona na sua imaginação doentia? Confesse!) não existem de verdade.

Sabe o que acontece DE VERDADE na sua piscina? Crianças mijando. Adultos mijando. Coletividades inteiras assoando o nariz e limpando as mais profundas partes de seus sistemas respiratórios na água. Pessoas peidando. Pessoas buscando usar o sol e a água como uma espécie de tratamento caseiro para a cura de frieiras. Cães aventureiros usando a piscina como bebedouro e/ou latrina. Bêbados vomitando na piscina depois de voltarem de uma bebedeira. Casais libidinosos transando na piscina. Grávidas pegas desprevenidas dando a luz na piscina. E se dê por feliz se não aparecer algum vizinho que, sendo proveniente de alguma cultura mais exótica, resolva jogar na piscina do prédio as cinzas de algum falecido ente querido!

 A piscina do seu prédio como ela realmente é.


Portanto, meu amigo, não há solução para o drama. Contente-se em banhar-se na água do mar, pois pelo menos o oceano é vasto (e em movimento) o suficiente para se livrar da maior parte dos muitos dejetos que recebe. Contente-se com uma chuveirada fria, ou invista numa banheira. Se o calor for excessivo, não envergonhe-se de apelar para a Solução Final: instale uma piscina inflável de criança no local menos inconveniente de sua casa, só pra você, e então seja verdadeiramente um veranista realizado!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Você Sabe o que é uma porcaria? A MÚSICA POP DOS ANOS 90!

Hoje postaram um link para o vídeo da música "Be My Lover", da La Bouche. Acabei inadvertidamente clicando nessa coisa e, como resultado de ser submetido a semelhante flagelo, tive mais um daqueles meus flashes traumáticos dos anos 90 que me acometem de vez em quando. É uma coisa tipo "memórias do Vietnã", sabe? O horror, oh, o HORROR!!!

Os anos 90 começaram bem: Guns N'Roses e Metallica eram provavelmente as duas maiores bandas do mundo, o pop-punk californiano do Offspring e do Green Day animava as rádios e o grunge de bandas como Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains indicava os rumos da música pop para a década. Mas daí, em 1994, deu uma zebra.

Kurt Cobain se matou.

Depois dessa tragédia, parecia que a indústria musical havia perdido por completo a fé na humanidade, e que havia desistido de investir em música feita por seres humanos e para seres humanos. Subitamente, uma década que havia começado criativa e cheia de energia caiu irreversivelmente no abismo do eletrônico, do pasteurizado, do sem alma e do genérico. Fazer música com atitude (ou alegre) virou crime. O tom "correto" agora era asséptico, blasé, robótico, ultracomercial e vegetativo.


Não me entenda mal, não tenho nada contra música eletrônica. Sou fã de Jean Michael Jarre, Kraftwerk e Depeche Mode. Mas aquele "bate estaca" que tão bem define a segunda metade dos anos 90 não era "música eletrônica", mas sim um lixo monocórdico desprovido de qualquer criatividade e autenticidade! Não haviam melodias, não haviam batidas empolgantes, não haviam frases inteligentes: era só uma série de vocais e barulhos estourados por cima de uma batida sempre idêntica, que mais parecia o ruído de entulhos caindo no chão do que propriamente uma "bateria". Compare Depeche Mode e The Smiths com Prodigy e Spice Girls, e você terá uma boa ideia do abismo de qualidade que separava o pop dos anos 80 das abominações noventistas.



A moda daquele momento, o "dance" genérico desprovido de alma, era reciclado de forma idêntica a lixo, em coletâneas da Jovem Pan e coisas do tipo, nas quais cada CD trazia dezenas de faixas de "artistas" dos quais ninguém antes havia ouvido falar e dos quais jamais se ouviu falar novamente. Cada desempregado com um mínimo de equipamento (e com um suficiente grau de deficiência auditiva) era um DJ em potencial, apto a animar festas abomináveis com o "batidão" onde tudo se parecia com qualquer coisa (para os bares era uma boa, pois para aguentar aquela merda de música, só bebendo MUITO). Plaboys mongolóides roubavam os automóveis de seus pais nos fins de semana e cruzavam a cidade ouvindo o "batidão" num volume que fazia a lataria chacoalhar. O apocalipse parecia próximo.


Fora do "dance" e derivados, o cenário da música pop era desolador como um cenário qualquer dos filmes da série Mad Max. A indústria musical festejava o Hanson, um trio de crianças cantando canções grudentas - uma coisa nível jardim de infância, mais ou menos como se estivessem querendo convencer o mundo de que o Balão Mágico era o grande supergrupo musical do momento! As Spice Girls despontavam como o grupo máximo da época, embaladas pela insuportável "Wannabe" e outras músicas que mais pareciam um teste de sanidade do que qualquer outra coisa. A dignidade humana estava se deteriorando com tamanha velocidade que, certo dia, começaram a dizer que "Fat of the Land" era um dos melhores álbuns da década e que o Prodigy era um grupo de gênios. Confesso que, nesse momento, se houvessem condições materiais para um exílio fora da Terra, eu teria optado por ele.


A doença se espalhava de forma alarmante. Colegas de escola que ouviam Ramones e Nirvana apareciam, no ano seguinte, curtindo Aqua e Spice Girls. Amigos metaleiros se sentiam na obrigação de comprar um CD do Jamiroquai para "experimentar". Qualquer música feita com guitarra, baixo e bateria de verdade era um crime. Qualquer banda originada de forma autêntica, e não composta por modelos e criada em laboratório por marqueteiros, era um crime. Riffs de guitarra eram crime


Por toda a parte, o bom-senso e as boas maneiras orientavam os músicos a "amaciarem" o seu som. O U2 (que antes e depois disso sempre foi uma banda acima de qualquer crítica) decidiu lançar um álbum chamado "Pop" repleto de sonoridades eletrônicas, para desgosto de seus fãs roqueiros de longa data. O termo "heavy metal" virou pejorativo, e nem as bandas do estilo não queriam mais ser tratadas por tal nomenclatura.


Daí vieram os Backstreet Boys, o N'Sync e por aí vai, e a marcha da humanidade para o inferno parecia irreversível.

Mas aquele estado de coisas não poderia ser eterno. No começo dos anos 2000, num belo dia semelhante a qualquer outro, "Seven Nation Army" do White Stripes tocou no rádio, e então o mundo subitamente se lembrou de que riffs de guitarra eram legais. De repente, o heavy rock voltou mais pesado do que nunca. A moda era o novo "Nu Metal", com bases de guitarra pesadíssimas, vocais berrados e agressivos e músicas sem solos. Ser barulhento e orgânico (e humano!) voltou a ser algo legítimo. 


Música eletrônica que parecia feita num Gerador Automático de Dance-Vagabundo virou uma coisa ultrapassada e sem graça, restrita a guetos de tomadores de bola. Alguns anos depois, apareceu o Franz Ferdinand, e dali em diante ninguém mais passou a duvidar de que não existem instrumentos mais adequados para a boa música pop do que baixo, guitarra e bateria tocados por seres humanos que realmente gostam de música.


É por essas e outras que já estamos há uma década fazendo contínuas festas Anos 80 por aí, sempre relembrando e comemorando a cultura pop daquela época, ao passo que até o momento ninguém ainda sentiu nenhuma vontade de relembrar os vergonhosos anos NOJENTA. Iremos relembrar a década de 80 por mais alguns anos, e depois irá começar o revival dos anos 2000, e os anos nojenta ficarão na latrina da história, como uma época artificialóide e burocrática da qual todos morrem de vergonha.


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Você sabe o que é uma porcaria? ENGORDAR!


Como diria o sábio pensador Boça, a gente vive num "puta mundo injusto, meu". Nos primórdios, nossos antepassados trabalhavam de sol a sol em atividades pesadas, plantando, caçando, colhendo, carregando pedras, etc. Quando finalmente voltava pra casa à noite, o cara tinha perdido umas seis mil calorias, e podia sentar na frente da TV e comer feito um porco, sem engordar.


Como diria o sábio pensador João Gordo, "os tempos mudaram, agora é o fim". Hoje, o cara passa dez horas por dia num escritório, trabalhando feito um louco na frente da nova senzala conhecida como "o computador". O sujeito fala com mil pessoas, se estressa para caralho, tem dor de cabeça, movimenta dinheiro, chega em casa exaurido e com profundo cansaço mental e ... não pode comer NADA! Sim, porque embora tenha exercido atividades intelectuais o dia inteiro, o profissional contemporâneo passa o dia sentado, cultivando o sedentarismo, e gasta algo em torno de 4 calorias ao longo de todo o dia.


Como diria o sábio pensador FHC, "assim não pode, assim não dá". Olha que injustiça: hoje nós temos uma variedade e quantidade de alimentos saborosos e de preparo fácil sem precedentes na história da humanidade. Mas, como pão de pobre sempre cai com a margarina virada pro chão, somos a humanidade que menos tem direito de comer, pois os nossos ofícios e profissões, que nos enlouquecem diariamente, simplesmente não consomem calorias!


É foda, viu? Como diria o Pica-Pau, "vudu é coisa de jacú"! Que alternativas nos restam? Uma opção é pedir demissão do escritório e virar pedreiro, ou cultivar uma horta nos fundos da casa e viver da agricultura de subsistência. A outra alternativa é mandar toda essa contradição às favas e simplesmente virar um baita de um gordacho, mas gordo mesmo, daqueles roliços e mórbidos, obeso até o limite da indecência, dando golpes de pança nas pessoas na rua e guardando restos de comida dentro do umbigo. Claro: tem uma outra alternativa, mais radical, que envolve reeducação alimentar e exercícios físicos habituais, mas essa é uma alternativa horrível demais para ser  cogitada!


O pior é que, como diria o sábio Cazuza, "o tempo não pára". A gente já se sente meio velho de estar beirando os trinta anos, e ganhar peso nessa fase da vida não ajuda, pois faz o cara se sentir AINDA mais velho! Eu olho para aquelas minhas fotos com dezesseis ou dezessete anos e parece que a pessoa que sou hoje engoliu aquele adolescente, tamanha a diferença de idade e de massa gorda. Puta mundo injusto, meu! Os tempos mudaram, agora é o fim. Assim não pode, assim não dá!!!

Eu estou tentando perder algum peso agora, mas é difícil para quem não gosta de nada que faz bem e gosta de tudo o que faz mal. Estou fazendo o meu melhor, mas não vou apelar para cristais, lipoaspiração, cirugias de redução de estômago, nutricionistas, tarô, Dr.Atkins, nem vou virar rato de academia, nem viver de frutas. Como diria o Aristóteles, "não se deve exigir de uma coisa mais rigor do que ela comporta".


domingo, 8 de agosto de 2010

Você sabe o que é uma porcaria? GRIPE!

Adivinhem por que eu fiquei mais de uma semana sem postar nada na Cripta? Resposta: GRIPE! Sim, MAIS UMA maldita gripe, minha terceira em dois meses. Pelo jeito, 2010 é o Ano Internacional da Gripe Ferrar com o Caveira. E que gripe mais desgraçada: ataca com febre, tosse do cão, coriza, tudo ao mesmo tempo, até o cara se sentir um bolo de carne moída.


Não sei se vocês já pararam pra pensar nisso, mas a gripe é uma coisa muito idiota. O vírus poderia muito bem infectar uma pessoa e viver ali quietinho, no nosso organismo, como um simbionte. Mas nãããoo, o desgraçado ainda nutre aquela ideologia ultrapassada de querer MATAR o hospedeiro. Que coisa mais "Alien", tão anos 70 ...


O vírus da gripe, em última análise, é SEMPRE um perdedor: se ele infecta um hospedeiro e é eliminado do organismo, ele perde. Se ele consegue comprometer completamente o organismo do hospedeiro através de complicações (pneumonia, etc), o hospedeiro morre e o vírus morre junto. E se a gripe conseguisse sucesso na sua pretensão de infectar o mundo inteiro, acabaria matando todos os seres humanos e, consequentemente, se exterminaria. Daí se impõe a obrigatória conclusão de que o vírus da gripe é ignorante e nunca leu nada sobre Teoria dos Jogos, por exemplo.

O mais triste, no entanto, é o estigma social do gripado. As pessoas não conseguem sentir pena de gripado! Experimente ligar pro seu chefe e dizer que vai faltar no trabalho por estar gripado! Subconscientemente, rola aquele preconceito de que o gripado é de alguma forma culpado por ter ficado doente. "Ah, deve ter passado a noite na balada! Deve ter andado pelado(a) de pés descalços num motel de beira de estrada com uma companhia de qualidade duvidosa! Deve ter participado do IV Campeonato Estadual de Ingestão de Sorvetes!". Ninguém está preparado para aceitar o fato bruto de que o gripado é só uma pobre vítima das circunstâncias, e que possivelmente ficou gripado trabalhando, indo no supermercado ou naquela fila quilométrica do banco (onde tinha a velha que não parava de tossir, lembra?).

Por outro lado, ironicamente, a nossa cultura judaico-cristã-tupiniquim não vê nenhum problema quando o gripado cretino sai pelas ruas infestando tudo e todos. Se o adoentado quer ficar em casa em repouso, para eliminar o vírus no sofrimento solitário de seu estóico confinamento residencial, nós achamos isso reprovável, quase uma espécie de vadiagem disfarçada. Mas se o infeliz resolve socializar a sua miséria com os outros, tossindo, espirrando e infectando vítimas por todo lugar em que passa, daí todos acham isso socialmente aceitável!

E nem tente se insurgir contra isso, saindo na rua com uma máscara (como fazem os japoneses quando estão gripados). As pessoas vão achar que você está com alguma doença terminal e atravessarão a rua quando virem você. E sempre vai ter um engraçadinho saudável pra te apelidar de "Michael Jackson"!


"Eu, deixar de ir pro escritório por causa desse resfriadinho? Bem capaz! Vem cá dar um abraço!"

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Você sabe o que é uma porcaria? SUPERMERCADOS!


Cara, eu ODEIO ir no supermercado!

Pra começar, você não pode ir em qualquer supermercado. Aqui em Novo Hamburgo, se você vai no BIG você não sai de lá nunca mais. A fila média no caixa tem 2 quilômetros e meio, e nunca anda, porque aparentemente ninguém paga as compras com dinheiro, apenas com cartão BIG, créditos de celular, cheques de terceiros ou em títulos da dívida pública. O Carrefour também não é opção, porque além das filas quilométricas você corre o risco de ter seu carro roubado no estacionamento, de apanhar dos seguranças ou de simplesmente morrer de fome andando pelos pavilhões intermináveis do lugar.

Dizem que existe um Rissul em algum lugar nos confins extremos da cidade, mas não existem provas documentadas de que isso seja verdade. Sabe como é, as pessoas inventam muita cascata. Lembra daquela história de que a Lady Gaga tinha um pau? 


Daí você escolhe o Bourbon. Estacionamento beleza, qualidade, ambiente bom, tudo legal. Claro, é meio careiro, mas a gente encara mesmo assim. E aí começa o pesadelo. Você chega lá e o leite que você sempre comprou nos últimos seis meses desapareceu, e no lugar dele apareceu qualquer outra coisa. O pó de café que você comprava desde sempre sumiu. Prateleiras inteiras estão vazias, como se o fim dos tempos tivesse sido anunciando no rádio há alguns minutos e uma horda de desesperados tivesse pilhado o estabelecimento. 


O que diabos está acontecendo, é alguma crise de desabastecimento? Caramba, quer coisa mais irritante do que ir fazer compras num supermercado renomado e se sentir como se você estivesse num posto público de abastecimento na antiga União Soviética? Será que o capitalismo já não tem defeitos que chega para ainda deixar consumidores chupando o dedo, procurando em vão por produtos ausentes?

Mas a irritação se prolonga. Você vai comprar uma inocente margarina, e encontra prateleiras repletas de diversas marcas de margarinas ... SEM SAL! E o "pequeno detalhe" de ela ser sem sal (leia-se: imprópria para consumo humano) está escondidinho em algum canto da embalagem, fazendo com que só os consumidores mais experientes (leia-se: os trouxas que já foram ludibriados anteriormente) percebam esses detalhes. No final das contas, você precisa desistir da marca de margarina que pretendia comprar e se contentar com qualquer uma que tiver sal, e cada dia são menos. 

 
"Ah, mas faz mal pro coração". Putz, será que eu posso ter o direito de comer a margarina que dá infarto que eu sempre comi desde criança? Garanto que é melhor do que morrer de desgosto comendo margarina sem sal.

O supermercado tem lá suas vantagens, tipo nós não precisarmos mais arriscar a vida caçando um bicho pra poder comer um bife, ou criar vacas para poder tomar um café com leite de manhã antes de ir pro escritório. Mas eu ainda percebo um resquício de selvageria na coisa toda. Principalmente na hora do rush.


domingo, 27 de junho de 2010

Você sabe o que é uma porcaria? VUVUZELAS!



"Vuvuzela". Até três meses atrás, ninguém sabia que diabos era isso. Seria uma península no interior da Venezuela?

Gerações inteiras nasceram e morreram sem jamais terem pronunciado a palavra "vuvuzela". E agora, subitamente, do nada-nadinha, todo mundo fala em vuvuzelas uma dúzia de vezes por dia!

Pois eu me recuso a falar "vuvuzela". Vuvuzela é a vó, a palavra certa é CORNETA! Nós chamamos corneta de "corneta" a vida inteira, por quê mudar agora? O substantivo "corneta" está de tal forma ligado ao futubol que criamos até o verbo "cornetear" para designar aquela encheção de saco camarada que fazemos com os outros quando o time deles perde (ou, pior, que fazem com a gente quando o nosso time perde).

Existe alguma distinção de ordem técnica ou científica entre uma corneta e uma vuvuzela? Uma corneta de plástico feita para fazer barulho no estádio é uma corneta, ora bolas. "Veja bem, a vuvuzela é uma corneta com um som diferenciado, repare aqui nesse acabamento na ponta, que permite alcançar notas em sustenido e ..."



Ah, mas lá na África do Sul chamam corneta de vuvuzela! E daí? E se eles chamassem cachorro-quente de rakunuku, nós passaríamos a chamar assim o pão com salsicha nosso de cada dia? "Oi, vou querer um rakunuku de linguiça calabresa, sem ervilha e com bastante maionese, e uma Fanta Uva". Hmmmm, não, né?



Eu tenho a tese de que, na verdade, o termo vuvuzela virou moda só porque é legal dizer vuvuzela. Primeiro, porque parece um palavrão. Segundo, porque permite que a nossa boca produza sequências silábicas incomuns (o mesmo prazer de dizer "Cthulhu"). Terceiro, porque deixa implícito que estamos inteirados do vocabulário da Copa e - por que não - que entendemos de futebol, afinal de contas.

Mas nada disso muda o fato de que uma corneta é uma corneta, aqui ou na China. Ou na África do Sul.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Você sabe o que é uma porcaria? PARTES CHATAS!


Hoje eu vou abordar uma das coisas mais horrendas e assustadoras da vida moderna, uma das coisas que mais contribuem para o decréscimo universal na qualidade de vida: as PARTES CHATAS.

O quê, você não sabe o que são partes chatas?!? Bom, eu vou explicar.

PARTE CHATA é aquele momento de um jogo de videogame (ou de uma música, ou de um filme) que te faz querer parar de fazer o que você está fazendo e desistir de continuar jogando o game, ouvindo a música ou vendo o filme. Todo mundo já encarou uma tristeza desse tipo. Um exemplo: você está jogando o maravilhoso GEARS OF WAR no seu Xbox 360, todo feliz com aquela violência interminável e tiroteio desmiolado. De repente, aparece um monstrengão superforte que corre atrás de você, e daí a mecânica do jogo muda completamente. Você não pode mais continuar só atirando e se escondendo, o que é a coisa mais legal do mundo, pois agora precisa enganar o monstro e fugir dele. E, até você pegar a manha, morre um monte de vezes. É o perfeito exemplo de uma PARTE CHATA no meio de um game ótimo.


Outro exemplo: lembra do Resident Evil 3 do Playstation? Você estava lá, matando zumbis e se divertindo, e de repente ouvia uma voz sinistra dizer "STARSSSSSSS" e daí você sabia que estava fodido, porque estava aparecendo o NEMESIS, aquele bichão desgraçado que não morria nunca e que te dava uns golpes que tiravam horrores de energia! Os momentos em que ele aparece são as mais inesquecíveis partes chatas do jogo!

Meu, eu odeio parte chata em videogames!!! Já cansei de largar games legais pela metade porque tranquei numa parte chata e não consegui mais ter ânimo de continuar jogando. Eu imagino que as empresas que fazem jogos devem perder muito dinheiro por causa das partes chatas. Se bem que, depois que você já gastou seu dinheiro comprando o game, se aparecer alguma parte chata o azar é seu. Aliás, podem notar: geralmente a parte chata demora um pouco para aparecer, geralmente é depois da primeira fase. Eles fazem isso para que a gente não dê de cara com a parte chata testando o game numa loja, no primeiro contato, antes de comprá-lo.


A parte chata é uma coisa super comum. Você começa a ouvir aquela música do caralho, que começa com uma frase de guitarra perfeita, emenda uma bateria fodaça e o vocal entra matando. Tudo perfeito, até que de uma hora pra outra a música desanda numa "ponte" sem graça antes do refrão, ou cai num refrão chato e sem inspiração, ou começa uma parte instrumental sem graça. Pra mim, o exemplo proverbial de parte chata numa música é em "The Legacy", do The Gone Jackals. Tudo na música é perfeito, da primeira nota até o refrão perfeito, até que precisamente aos 2:12 a música desanda e começa uma parte que parece outra música, e depois entra um solo que simplesmente não tem mais nada a ver com o começo da música. Tipo, POR QUE a banda precisava fazer uma parte chata numa música que estava perfeita? Será que existe algum tipo de cotas para partes chatas?!?


Filmes também têm partes chatas. Hoje eu vi a versão Redux do clássico Apocalypse Now do Coppola, por exemplo, e essa versão tem uma parte chatíssima mostrando o encontro do protagonista com uma família de fazendeiros franceses. Olha só, levou mais de vinte anos, mas conseguiram enfiar uma parte chata até no Apocalypse Now, um dos filmes mais perfeitos da história!

Mas é assim mesmo, a parte chata parece uma lei da natureza, uma constante universal, um dado do mundo físico. Você já parou pra pensar que até COMIDA às vezes tem partes chatas? Tipo, quando você tá matando aquele X-Salada gordurento e delicioso e então encontra ervilhas nele. Não sei de você, mas eu ODEIO ervilha! Ou quando você tá comendo um belo peixe e sente aquele espinho desgraçado na boca, vindo do nada, e começa aquela aflição para tirá-lo da boca sem parecer um porco na frente dos outros, e o que fala mais alto no fim das contas é o medo de engolir o troço e agonizar uma morte horrível em público!


Pensando bem, até a vida tem as suas partes chatas. Mas eu já estou me alongando. Se você conseguiu acompanhar o "raciocínio" (?) até aqui, eu agradeço!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Você sabe o que é uma porcaria? REMAKES!


Imersa em uma falta de criatividade abissal, o cinema norte-americano, há quase uma década, vem se mostrando virtualmente incapaz de produzir alguma coisa decente que não seja oriunda de adaptações de outras mídias (quadrinhos, videogames, livros, etc). Aparentemente, todas as mentes visionárias foram para a televisão, cujas séries de maior qualidade hoje colocam Hollywood no chinelo em termos de argumento, criatividade e inovação. Quando muito, um filme consegue inovar por méritos tecnológicos, o que já é saudado como um sopro de ar fresco no marasmo vigente.


O que faz o pessoal do cinemão americano, então? Volta-se para o passado, com parasitária disposição de recriar, "rebootar" (o termo idiota da moda) e refazer tudo o que de inovador e criativo se fez nos anos 80. E aí começa o festival de remakes de filmes que sequer são velhos o suficiente para merecerem uma chupação oportunista revisão estética.

Nem todo remake é necessariamente um desastre. Existem dois bons motivos pra se fazer um remake: primeiro; quando o filme original, embora bom para sua época, tenha perdido muito em termos de argumento e efeitos visuais por causa da passagem das décadas. Segundo; quando o próprio filme original não foi lá tão bem executado, comportando uma reimaginação mais eficiente. Compare o excelente The Fly de 1986 com o clássico (porém ingênuo e cafona para os padrões atuais) filme original de 1958, e você verá um excelente exemplo de remake justificável. 


O problema é quando os produtores "intiligênti" de Hollywood começam a pensar em remakes de: a) filmes relativamente novos, de menos de três décadas atrás; b) filmes absolutamente perfeitos no original, que não podem ser melhorados em absolutamente nada.

Claro, algumas mentes do cinema americano são mais espertas do que outras, e conseguem ganhar dinheiro sem vilipendiar o patrimônio cultural do passado. O diretor Bryan Singer, de Superman Returns (2006), "canonizou" os excelentes e antológicos filmes Superman (1978) e Superman II (1980), fazendo de seu novo filme uma espécie de "nova continuação" desses dois clássicos. Com isso, ele enterrou somente os péssimos Superman III (1983) e Superman IV - The Quest for Peace (1987), com os quais ninguém se importa porque são umas merdas e que sempre foram considerados péssimos de qualquer jeito. Foi um belo jeito de reiniciar a franquia conciliando a mitologia do personagem com o natural desejo dos produtores de encher o rabo de dinheiro.


Outro filme que enveredou pelo mesmo caminho foi o novo Sexta-Feira 13, de 2009. Anunciando como um "reboot" da série, o filme na verdade toma como ponto de partida a película homônima de 1980, que é um filme de terror perfeito e irretocável, servindo na verdade como se fosse um novo "Sexta-Feira 13 Parte 2". Assim como em Superman Returns, respeita-se o material original que presta e se passa com uma patrola por cima das continuações ruins. O novo Star Trek de 2009 optou por um procedimento semelhante, embora de forma mais sofisticada, através de uma história que envolve viagens no tempo e realidades paralelas. Mas o mesmo cuidado foi observado.


Mas essas saídas inteligentes são exceções. Via de regra, o que domina em Hollywood é a burrice generalizada e o desejo cego de lucrar com qualquer bosta filminho fajuto. Por causa do sucesso da detestável e debilóide franquia Crepúsculo, já estão falando em um remake de A Hora do Espanto (1985), um filme elogiadíssimo e perfeito que mal tem vinte e cinco anos de existência. Vamos ser sinceros: será que há uma maneira de fazer esse filme MELHOR do que ele já é? Claro que essa intenção nem passa pela cabeça maníaca dos produtores, que só estão preocupados em vender uma franquia cujo nome já está presente no imaginário do público. Já falam até em mudar o tom do filme, para torná-lo mais palatável para os emoaborrescentes adolescentes fãs de Crepúsculo. Não dá vontade de vomitar?


Felizmente, Hollywood aparentemente enterrou o projeto de um remake para Fuga de Nova York (1981). Além de o filme ter um protagonista eternizado pela atuação de Kurt Russel, sendo impensável ver outro ator na pele do personagem, há ainda os problemas com as nuances da trama. Um eventual remake não poderia mostrar um avião sendo derrubado por terroristas na ilha de Manhattan, certo? Porra, mas essa é a PREMISSA do filme! Se a sensibilidade atual do povo americano não comporta mais coisas desse tipo, então NÃO FAÇA UM REMAKE! Como iriam mostrar a entrada do herói Snake Plissken na ilha-prisão de Manhattan, voando em um planador e aterrisando no topo do World Trade Center? Não dá, né? Então, deixe-se o filme em paz! Até porque ele tem uma mistura de ação, aventura, violência, humor e distopia social cujo equilibrio não é facilmente reproduzível. Com muita facilidade, um remake não passaria de uma paródia do original (problema, aliás, que ocorreu com a continuação Fuga de Los Angeles, de 1996).


Aparentemente, o mais recente fracasso nessa linha é o novo A Hora do Pesadelo. Em vez desses imbecis preservarem o magnífico filme original e "apagarem" as péssimas continuações da cronologia, eles optaram por começar tudo do zero, ignorando o primeiro filme. É realmente muita pretensão achar que Robert Englund poderia ser facilmente substituível como Freddy Krugger! É realmente muita pretensão achar que se poderia contar a história do assassino que ataca nos sonhos de modo mais eficiente, aterrorizante e climático do que o feito no filme original de 1984. Deu no que deu: segundo a crítica, o novo filme é abissalmente ruim. 


E a demência dessa gente não tem limites. Eles não perdoam nem os filmes recentes, como o aclamado terror sueco Let the Right One In, de 2008. O filme mal fez dois anos e Hollywood já está produzindo um remake! Aparentemente, os americanos não conseguem ver um filme com legendas e com pessoas falando uma língua diferente. Fico imaginando a qualidade desse pretenso remake. Quem viu o filme sabe que ele tem cenas de nudez infanto-juvenil frontal. Pergunto: vocês ACHAM que esse tipo de coisa seria admissível num filme americano? Alguém tem alguma dúvida que o filme será mutilado, censurado, picotado, estereotipado e imbecilizado para que o resultado seja palatável para aqueles acéfalos que acham que vampiro de verdade é o Edward Cullen? Hein, hein?


Conclusão: Hollywood, poupe nosso tempo! Não precisamos de remakes de Psicose, Blade Runner, A Hora do Pesadelo, A Hora do Espanto, De Volta Para o Futuro, Alien e nem de qualquer outra obra-prima dos últimos trinta anos. Também não precisamos de remakes de filmes excelentes de dois ou três anos atrás, apenas em virtude do "crime" de eles serem filmes espanhóis, franceses ou suecos. Se o filme não foi feito nos EUA, coloquem legendas em inglês! Não façam o filme de novo, apenas para  simplificá-lo, censurá-lo e deixá-lo desprovido de todas as suas qualidades originais. E vão cagar no mato antes que eu me esqueça!