terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Álbuns recomendados: BLAZE BAYLEY - PROMISE AND TERROR (2010)


No próximo domingo (23/01) vai ter show do Blaze Bayley aqui em Porto Alegre. Para comemorar, vamos para uma breve análise do mais recente álbum do cara - Promise and Terror - lançado em 2010.

Para quem não conhece, Blaze ficou famoso por ter sido o vocalista do Iron Maiden entre 1994 e 1999, período no qual gravou dois álbuns com a banda: The X-Factor (1995) e Virtual XI (1998). Não foi, no entanto, uma passagem tranquila. Para muitos fãs, a saudade de Bruce Dickinson falou mais alto, o que levou o material da "Era Blaze" (e principalmente as performances ao vivo do cantor) a ser frequentemente achincalhado e exageradamente criticado por grande parte do público e da mídia especializada. 

Pessoalmente, sempre achei tudo isso um enorme exagero: sou fã incondicional da banda desde 1994, acompanhei atentamente toda a passagem de Blaze pela banda e sempre achei The X-Factor um dos grandes álbuns da discografia do Maiden (sem falar que é o disco que redefiniu o som da banda, e inaugurou o estilo que as composições da banda continuam tendo até hoje).

O Iron Maiden em 1995.

Após a saída do Maiden no começo de 1999, Blaze se lançou numa carreira solo que surpreendeu todos os fãs de heavy metal pela qualidade das composições. O primeiro álbum solo de Blaze, Silicon Messiah (2000), foi seguramente um dos melhores álbuns do estilo daquele ano, e todos os álbuns seguintes mantiveram um alto padrão de qualidade. E é aí que o novo Promise and Terror surpreende ainda mais: o álbum teve uma recepção excelente por parte da crítica e do público, e já é comercialmente o disco mais bem sucedido da carreira solo de Blaze. Motivos não faltam, pois o álbum é mesmo muito bom.

Uma das coisas que chama a atenção, após algumas audições, é que Promise and Terror possui uma parte mais "alto astral" e uma mais "deprê". São 11 faixas no total, sendo que as 7 primeiras são mais rápidas, agressivas e positivas, enquanto que as quatro últimas funcionam quase como uma pequena peça dark e introspectiva, lidando com as dores da tragédia pessoal e da perda. O sentimento de Blaze sobre esse tema, infelizmente, é de fato muito autêntico - o cara enfrentou em 2008 a trágica morte de sua esposa Debbie Hartland. 

Promise and Terror é cheio de boas surpresas: a excelente Surrounded by Sadness (a única música "unplugged" do álbum), a rápida Watching the Night Sky e a ótima Time to Dare. Não há realmente um ponto baixo no álbum, e no final das contas o mais provável é acabar ouvindo o material do começo ao fim, mesmo. As quatro faixas finais não apenas são ótimas isoladamente como funcionam extremamente bem em conjunto, quase como se fosse um "mini-EP" dark e soturno, em adendo ao álbum em si.


Enfim, o novo álbum de Blaze é o ponto alto da carreira solo do cara até aqui (embora eu ainda continue preferindo o imbatível Silicon Messiah), e estou curioso para ver como essas novas músicas irão soar ao vivo. Depois de dez anos de uma carreira solo sólida e invejável, Promise and Terror é mais um chute na bunda daqueles que, nos anos 90, questionavam os méritos de Blaze enquanto vocalista e compositor. Recomendo para qualquer um que goste de heavy metal, independentemente de ser fã do Iron Maiden ou não.


Um comentário:

Gilvan disse...

"Bleizão" é o cara, sem mais!