quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Filmes Horríveis: BRADDOCK - O SUPER COMANDO (1984)


"É tão ruim que mal dá para acreditar. É xenófobo, amadorístico e extraordinariamente aborrecido. É propaganda do tipo todo-asiático-é-bandidinho".

Derek Adams, da revista Time Out, sobre o filme Braddock.



"É o melhor filme de Chuck Norris, e isso não é dizer muita coisa".

Steve Crum, do Video-Reviewmaster.com


"Norris interpreta Stallone ... mal".

Scott Weinberg, do eFilmCritic.com



Caramba, hoje eu vou meter a mão na merda. Vou falar de um filme tão ruim que dá até vergonha: MISSING IN ACTION, de 1984, conhecido aqui no Brasil como BRADDOCK - O SUPER COMANDO.

Estrelado pelo canastríssimo e intolerável Chuck Norris, esse é o tipo do filme que só teve quinze minutos de fama nos anos 80. Para você que é jovem, deixa eu explicar: os anos 80, apesar da inegável qualidade da cultura pop da época, foram marcados pelo "cinema testosterona", com brutamontes armados com metralhadoras que atiravam de qualquer jeito para todos os lados e matavam exércitos inteiros sem sofrer um arranhão. Todo esse cinemão "macho" hollywoodiano refletia os Estados Unidos da Era Reagan, época marcada pelo militarismo e pelo discurso estilo "I'm the best, fuck the rest" dos americanos.

Só que, apesar da moda ter passado, muitos filmes realmente bons (ou pelo menos divertidos) sobreviveram à passagem do tempo. É por isso que hoje lembramos com saudosismo de coisas como Comando para Matar, Predador, Duro de Matar, Rambo II e Aliens - O Resgate. Alguns desses filmes são simplesmente muito bons, outros são meio "trash" mas são ótimo entretenimento. E, é claro, há algumas porcarias que realmente só tinham lugar naquela atmosfera dos anos 80 e que, tão logo a década seguinte apareceu na esquina, caíram no mais profundo e merecido esquecimento. Obviamente, é nessa categoria que se enquadra este detestável filme de Chuck Norris.
 


A premissa de Braddock - O Super Comando é a mesma de Rambo II: a celeuma gerada nos EUA, naquela época, sobre a suposta existência de "prisioneiros de guerra" que secretamente ainda encontrariam-se cativos no Vietnã, mesmo depois de a guerra ter terminado há mais de uma década. No filme, Norris "interpreta" o Coronel James Braddock, um veterano da Guerra do Vietnã que foi preso e torturado pelos vietnamitas e fugiu de um campo de prisioneiros dez anos antes. O personagem é uma das principais vozes do movimento que acusa o Vietnã de ainda manter prisioneiros de guerra americanos escondidos no país asiático. Aparentemente atormentado por terríveis pesadelos, Braddock relutantemente aceita integrar um grupo diplomático que viaja para o Vietnã para conversar com o governo local sobre a questão.

Chegando no Vietnã, Braddock é hostilizado como um criminoso de guerra (nada mais natural, afinal de contas não custa lembrar que os EUA é que invadiram o país, e não o contrário), e o governo local exibe uma série de camponeses que supostamente "acusam" Braddock de torturas e abusos afins, embora fique evidente que é tudo uma armação. Aparentemente, com isso, o filme quer nos fazer acreditar que Braddock foi um herói da Guerra do Vietnã sem ter machucado, torturado e nem matado ninguém. Deve ser isso, ele deve ter lutado na guerra apenas na base do carinho e do aperto de mão, senão o malvado governo comunista não precisaria acusá-lo falsamente de delitos os quais seria razoável presumir que ele necessariamente tenha de fato cometido no curso de um GUERRA!!!
 

Mas espera um pouco que a coisa piora: após desqualificar Braddock por meio das acusações forjadas, o governo vietnamita nega peremptoriamente a existência de prisioneiros de guerra americanos no país. A reunião termina, a comitiva americana é tratada com todo o respeito, sendo convidada para uma festa chique, e depois vão todos para um hotel. E o que faz Braddock? Pega uma champagne e duas taças, vai pro quarto da única mulher que integra a comitiva diplomática, entra (para fazer os guardas pensarem que ele vai traçar ela), larga tudo, tira toda a roupa na frente da mulher (como se fosse estuprá-la, e ela nem liga), se veste de NINJA e sai perambulando feito um louco pelas ruas do Vietnã!!!
 

Como se não bastasse, Braddock identifica a casa onde vive o líder do governo vietnamita, MATA gratuitamente (e sem qualquer necessidade) uma série de guardas que não estavam cometendo nenhum crime além de zelarem pela segurança do líder do país, invade o quarto onde o cara está dormindo, gruda uma faca na garganta do sujeito e exige que ele confesse aonde estão os prisioneiros americanos. O líder vietnamita admite a existência dos prisioneiros e explica o lugar onde estão. Ao tentar reagir, o sujeito é MORTO por Braddock, que depois volta correndo para o hotel, entra de novo no quarto da colega americana, arranca a roupa dela na cara dura, pega a mulher pelada, atira na cama e se enfia debaixo das cobertas com ela. É claro que, quando os soldados vietnamitas chegam, a suspeita sobre Braddock parece infundada, pois aparentemente ele passou a noite inteira "carcando" a diplomatinha.

Depois de ter matado o Chefe de Estado de um país estrangeiro, Braddock - ainda achando que não fez merda que chega - passará a próxima hora colocando o Vietnã novamente em estado de guerra, matando soldados, civis e gerando caos por onde passa, se infilitrando em florestas, destruindo com explosivos C4 um campo de concentração feito de madeira e palha (e que, portanto, poderia ter sido destruído com um simples isqueiro) e por aí vai. 
 
 
Mas toda essa guerra de um homem só, todo esse morticínio, todo esse absoluto desrespeito pela soberania de um país estrangeiro é finalmente compensada pela revelação de que, SIM, os vietnamitas estavam mesmo secretamente mantendo soldados americanos presos! Ohhhhhhh, malditos bandidos!!! Quantos presos secretos estavam sendo ali, cativos naquele inferno selvagem? Centenas?!? MILHARES?!?

Quatro.
 

(...)

Sim, QUATRO! Q-u-a-t-r-o. 4. Four. Toda a "absoluta convicção" que Braddock tinha sobre a existência de prisioneiros americanos no Vietnã se resumia a quatro soldados! Toda a maléfica operação de ocultação e dissimulação que o malvado governo comunista daquele país asiático orquestrou contra os EUA tinha por objetivo manter cativos tão somente QUATRO soldados quaisquer. Braddock matou 90% do elenco, um terço da população do Vietnã e o próprio líder do país (e ainda sacrificou a vida de um amigo seu) para, ao final das contas, libertar QUATRO PESSOAS!!!
 

Sinceramente, eu não me recordo, na minha vida recente, de ter visto um filme tão abissalmente ruim quanto este. Chuck Norris não convence nem interpretando uma samambaia, o roteiro é de uma estupidez que chega a ser ofensiva e, mais grave do que tudo, o filme é chato e aborrecido! Se você já viu o clássico Rambo II, vai lembrar que, apesar do roteiro sofrível, o filme era um maravilhoso espetáculo de ação quase ininterrupta. Já em Braddock, nem as cenas de ação funcionam. É tudo obtuso, lento, desinteressante e desconfortavelmente forçado. Por exemplo: todos sabemos que, em filmes desse gênero, o "mocinho" nunca leva um tiro. Mas em Braddock a coisa ganha contornos de mágica, pois chega ao ponto de o "herói" estar lutando sozinho contra uma dúzia de inimigos que atiram ininterruptamente nele com metralhadoras pesadas, numa distância de vinte ou trinta metros, e NINGUÉM acerta NENHUM tiro no cara. Ah, francamente! "Herói de ação" é uma coisa, isso aí já é gozação mesmo.
 

O mais assustador de tudo é que esse filméco miserável ganhou DUAS continuações! Missing in Action 2 - The Beginning (1985) é um "prequel", que mostra como Braddock escapou do Vietnã dez anos antes dos eventos do primeiro filme. E, como se não bastasse, Braddock - Missing in Action III (1988) apresenta mais uma aventura do detestável personagem. E o pior de tudo é que, embora Braddock pareça uma cópia de quinta categoria de Rambo II, fica difícil de acusá-lo disso na medida em que ele foi lançado um ano ANTES de Rambo II. Mas é muita "coincidência", e eu ainda suspeito que os produtores do filme ficaram sabendo da trama de Rambo II enquanto o filme era feito e correram para lançar um clone antes.
 

Se você achava que aquela fórmula cheia de ação e adrenalina de Rambo II seria incapaz de render uma cópia chata e desprovida de qualquer diversão, então Braddock - O Super Comando é para você! Mas recomendo tomar um Engove antes, outro depois.
 
"Hahahaha, mais um post hilário da Cripta do Caveira! God, eu ADORO esse cara!!!"



  


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