quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Filmes Ruins - CREPÚSCULO (Twilight)

Por mais que eu goste do tema "vampiros", eu sabia que teria dificuldades para me empolgar com o filme Crepúsculo, primeiro de uma cinessérie baseada no novo fenômeno da literatura teen internacional. Afinal de contas, todo mundo sabe que esse material é dirigido para adolescentes, coisa que eu deixei de ser há uma década. Então eu já esperava um filme meio ingênuo, bobinho, água com açúcar e com choramingos no lugar de uma genuína sensualidade vampiresca. Mas eu nunca poderia esperar um filme tão chato.

Sim, CHATO! Eu sou do tempo em que os adolescentes eram criticados por gostarem de coisas superficiais mas recheadas de ação, aventura, quebra pau, explosões, adrenalina, emoções, suspense, etc. Crepúsculo consegue a rara façanha de ser uma nulidade tanto na casca quanto no miolo: é ficção sem conteúdo e sem quaisquer outros atrativos. Caramba, que saudade do Harry Potter.


Por que o filme é chato? Porque nada acontece! O romance água com açúcar arrastado entre os protagonistas enfadonhos (e seu namoro mais-do-que-platônico) ocupa boa parte das duas horas de filme. A "complicação" da trama se resume à presença de três vampiros "do mal", sendo que a luta com o mais "malvadinho" deles é o ápice da história. Tá pra nascer outro filme adolescente tão desprovido de ação e aventura quanto este.

A trama é a seguinte: uma adolescente murrinha de 17 anos chamada Bella se muda para uma pequena cidade de interior para morar com seu pai. A guria vive permanentemente emburrada e com ar depressivo (talvez em decorrência de ainda estar na escola quando já teria idade para estar na faculdade), mas tudo muda quando ela se apaixona à primeira vista por um colega chamado Edward Cullen, um rapaz branco como o Gasparzinho e com um topete que lembra o Goku do Dragon Ball. Os dois, depois de algum atrito inicial, iniciam um namoro digno de crianças de oito anos de idade e logo a moça descobre que Cullen e toda sua família na verdade são vampiros. Mas não aqueles vampiros classudos estilo vitoriano, estupradores de virgens. Tampouco aqueles descolados vampiros na linha Anne Rice, mas sim um tipinho muito peculiarzinho de vampirinho que só bebe sanguinho de viadinhos da floresta. Tipo, um AMOR, sabe?!?

Outra coisa que irrita em Crepúsculo é o conservadorismo burro, panfletário e mal disfarçado que dá o tom da história. Segundo dizem, isso se deve ao fato de Stephanie Meyer, autora da série, ser uma conservadora religiosa mórmon daquele tipo que só os EUA conseguem produzir. Dê uma conferida nos seguintes pontos da trama e veja se não parece coisa saída da Juventude do Partido Republicano:

1 - os "vampiros" não têm presas;

2 - "bons" vampiros não bebem sangue de humanos, só de animais (é o típico caso de moralismo tosco que só se justifica quando direcionado a um público infantil. Por que um predador que se alimenta de seres humanos - seja real ou fictício - estaria cometendo "uma imoralidade" pelo simples fato de matar a fome e manter-se vivo?);

3 - os protagonistas, embora adolescentes, estão hipnotizados por uma paixão platônica e nem pensam em sexo. A moça gosta do rapaz porque ele é bonito e misterioso (como se esse perfil de homem afastasse a idéia do sexo na mente das garotas!), e ele gosta dela porque O CHEIRO DELA DEIXA ELE COM FOME! Sério, é verdade, não ria! Ele afirma isso expressamente no filme, e chega a tentar evitar de ver a menina novamente, de tanta vontade de comê-la (na conotação alimentar) que ele tem. Em outras palavras, é mais ou menos como um cara ter tesão por uma garota por ela ter cheiro de hamburguer! É o tipo de paixão platônica que eu tenho por pizzas e lasanhas.


4 - os vampiros não morrem em contato com a luz solar, mas a natureza sobrenatural deles é exposta à luz do dia, pois eles brilham como se estivessem cobertos de purpurina dourada. Dá pra acreditar?!?!?!?!? AI, MEU SACÃO!!!!

Enfim, a mensagem parece ser: "jovens, sejam caretas. Façam seus pais parecerem cool. Não sejam amalucados e rebeldes como seus avós foram". Meu Deus, COITADOS dos adolescentes de hoje em dia!


Mas o pior de tudo é o final do filme. Antes de ser raptada pelo vampiro loucão e malvado, Bella tinha saído da casa do pai mentindo que "teria brigado" com Cullen. Depois da derrota do vampiro malvadinho, a família reencontra Bella toda arrebentada no hospital, já que ela tomou um belo cacete do inimigo. Então Edward (aquele que era pra estar "brigando" com a garota, segundo ela própria mentiu para o pai) conta para a família dela que a moça caiu de uma escada, rolou e atravessou uma janela! Hahahaha, sério, eu JURO! Porra, qualquer pai do mundo perceberia na hora que era mentira e voaria no pescoço do rapaz, achando que o cara tinha dado uma sova na filha. Mas nããããão, a família de Bella achou absolutamente NORMAL que o rapaz grande e esquisito (e que estaria brigando com a garota) tenha ligado pra eles dizendo que a guria está no hospital, toda arrebentada de apanhar, porque "rolou da escada". Esse filme é mesmo um no brainer!

Não li o livro (e nem vou), mas acredito na opinião corrente da crítica de que, por bobo que seja o livro, esse filme não lhe fez jus. É preferível crer nessa tese do que imaginar que um filme tão aborrecido possa ser a perfeita tradução para o cinema de um fenômeno da cultura pop contemporânea.



Opiniões de nossos especialistas sobre o filme "Crepúsculo":




"Achei gay demais ..."







"Esse filme me dá nos nervos!"







"CRUZES, que filme ruim! É pior do que tomar um porre de água benta!"







"Não vi e nem vou ver!"







"Eu gos-teeeei ....."

2 comentários:

Suzan disse...

Ohohohohohohohohohoh... rolei de rir.

Tahtah disse...

Ainda não sei como tu conseguiu assistir o filme todo...

Com essa ENDURANCE ai, dava pra comer até um Javali Pastel