quarta-feira, 28 de março de 2012

A CRIPTA DO CAVEIRA COMPLETA 8 ANOS!


"BEM VINDOS
Seja bem vindo à minha cripta ... eu sou o Caveira.
Não estou no momento.
Deixe seu recado após o AHHHHHHHHHHHH!!!"


Com este post, em 11 de março de 2004, foi inaugurado o blog A Cripta do Caveira. Até eu estou surpreso com essa descoberta que fiz agora há pouco, vasculhando meus velhos arquivos das versões anteriores do blog. É que, há vários anos, eu acreditava que A Cripta do Caveira tinha sido criada no dia 28 de março de 2004. Mas, aparentemente, eu estava enganado.

De qualquer forma, isso significa que o blog está comemorando nada menos do que oito anos de existência ininterrupta, tendo passado por quatro endereços diferentes nesse período:

- http://criptadocaveira.blig.ig.com.br (2004)

- http://criptadocaveira.blogspot.com (2004-2006)

- http://ubbibr.fotolog.com/doomariner (2006-2008)

- http://caveirascrypt.blogspot.com (2008-presente)

 
 Primeira versão da Cripta do Caveira, em 3600 A.C.

A Cripta do Caveira nunca teve pauta, objeto, sentido ou uma razão de ser clara e definida. Começou servindo para que eu compartilhasse qualquer bobagem que estava na minha cabeça no momento (lembrem-se: era uma época em que não existia ainda Orkut, Twitter ou Facebook). Progressivamente, foi se tornando um espaço para resenhas de filmes, games e discos. Com a criação do blog Cemetery Games, os jogos de videogame e computador virtualmente desapareceram da Cripta.

No seu primeiro ano, o blog era pautado por posts bastante curtos, de um ou dois parágrafos, geralmente acompanhados de uma única imagem. Não havia nenhum texto mais elaborado. Era uma droga mesmo, ruim demais. Não que hoje o blog seja grande coisa, mas pelo menos dá pra encarar. Ainda bem que, naquela época, quase ninguém lia a Cripta mesmo!

 Durante a ditadura militar, A Cripta do Caveira foi proibida por conta de seu conteúdo subversivo.


Aos poucos, a coisa foi melhorando um pouco. Começou a rolar uns reviews de shows e uns textos um pouco mais decentes e informativos. De qualquer forma, o blog só começou a ter alguma visitação digna de nota a partir de 2008. E mesmo nessa época, a Cripta tinha em torno de 100 visitas mensais - às vezes menos! O número de visitantes atual (que geralmente oscila em torno de 2.500 ou 3.000 visitas por mês) é um fenômeno bastante novo para o blog, coisa de 2010 para cá. Não me perguntem qual o motivo disso, pois juro que não sei. Pra mim, a Cripta continua essencialmente tão ruim e nonsense quanto sempre foi. Mas, pelo jeito, aumentou o número de almas desgarradas atraídas por esse pequeno sanatório sobrenatural.

Hoje, A Cripta do Caveira tem um pouco de tudo que eu gosto: música, pop oitentista, nerdices, pequenos contos e crônicas, filmes, livros, arte de horror em geral e eventualmente um pouco de humor barato (os videogames, como já falei, ficaram num blog especializado no assunto). A Cripta pode ser uma porcaria desvairada, mas é a MINHA porcaria desvairada e, hoje, é inegável que ele reflete uma parcela considerável da pessoa que eu sou. Ou seja: que medo!

Os compromissos da vida adulta, naturalmente, me impedem de manter o blog tão abastecido e renovado quanto eu gostaria, mas quem o acompanha sabe que ele nunca chega a ficar abandonado. Por isso, boys and ghouls, continuem visitando a Cripta nas suas horas de folga, pois sempre haverá alguma atração barata e ridícula para animá-los.

Um grande abraço para todos vocês que, sabe Deus por quê, acabam entrando aqui todos os meses. Eu posso ser meio louco, mas vocês certamente também não são lá muito normais ...


terça-feira, 27 de março de 2012

Quaresminha

 
 - Bem-vindos de volta, prezados ouvintes! Eu sou o seu Roberto Leão e você está sintonizado na Rádio Ranheta, 43.7 FM. Conforme prometido, nesse bloco do nosso programa a gente vai entrevistar um grande nome da nossa música popular, um compositor local que muito nos honra com a sua presença: o popular Quaresminha! Boaaaaaaaaaaaaaaa noite, Quaresminha!!!

- B-Boa noite!

- Disco novo na praça, então?

- É, acabou de ser lançado. A gente tem que aproveitar a época, né?

- Não entendi. Que época?

- A Quaresma. Tipo, depois do Carnaval e antes da Páscoa.

- Ahhhh, saquei, saquei. Você prefere lançar seus álbuns no período da Quaresma, Quaresminha? É pra dar mais ibope, ficar mais em evidência?

- É, acaba sendo uma necessidade, né? É o único período em que os meus álbuns vendem bem, na verdade.

- Não é fácil ser músico no Brasil, né, Quaresminha?

- Não é, não. Não é mole. Com show é a mesma coisa, minha agenda só enche mesmo nessa época. No resto do ano rola um certo marasmo.

- Que coisa, que coisa! Mas fala mais pra gente dessa tendência de vendas aí, Quaresminha! Quer dizer que o pessoal não ouve Quaresminha no Natal ou no Dia das Mães?

- Pior é que não, sabe ... é só na Quaresma mesmo. Tem muita concorrência no Dia das Mães: Os Rebentos dominam as paradas há alguns anos nesse período. O público mais roqueiro acaba comprando os álbuns da Filhotão & Os Matricidas. E todo mundo sabe que, no Natal, só dá Simone há mais de vinte anos.

- "Então é Nataaaaal"! Ráráááá, é verdade! Tchê, mas tu vê só! Que barra, Quaresminha, que barra!

- É, pois é. Eu me arrependo um pouco desse nome artístico na verdade. Acho que me faltou um pouco mais de visão na época. Eu era jovem e inexperiente no mundo da música. Deveria ter pensado em algo mais abrangente.

- Exemplifica aí pro ouvinte, Quaresminha.

- Ah, tem muito artista que mantém boas vendagens o ano inteiro. A dupla Rotineiro & Cotidiano, por exemplo. Não há dia no ano em que os discos dos caras não vendem bem. Tem aquela banda punk da capital, a Cartão Ponto, que também se mantém forte o ano inteiro. Quer dizer, menos no período de férias. Acho que nas férias o pessoal prefere reggae, ska, pop ...

- Esse sons mais de praia, né?

- É, por aí.

- E como você leva o resto do ano, quando os discos vendem menos e há poucos shows?

- Bom, a gente se vira, né? Eventualmente aparecem umas paróquias do interior comandadas por uns padres meio gagás. Isso acaba me ajudando. A Páscoa passa e eles não se dão conta. Continuam me contratando para animar as festas da igreja local até meados de maio. Começo de junho, às vezes.

- E diz aí pra gente, Quaresminha: você já cogitou mudar o seu estilo de som, para atingir um público maior?

- Sim, já pensei nisso, sim. Aliás, estou determinado a me renovar musicalmente. No meu próximo álbum, irei experimentar com música clássica. Farei releituras de grandes composições eruditas. Será algo com potencial para expandir o meu público e fazer o disco vender bem durante o ano inteiro.

- Mas olha só! Que legal, Quaresminha. E esse futuro projeto, já tem nome?

- Tem sim. Vai se chamar "As Quatro Estações"! 


quinta-feira, 15 de março de 2012

O Caveira analisa: SUPERMAN II - THE RICHARD DONNER CUT (2006)

 
Se você é da "Geração Anos 80" como eu, provavelmente sabe que SUPERMAN II (1980) é um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos, e que os dois primeiros filmes do kryptoniano estrelados por Christopher Reeve foram nada menos do que os primeiros filmes do estilo a realmente fazer um grande sucesso de crítica e público, estabelecendo o padrão para o que Hollywood viria a fazer no futuro com Batman, Spiderman, X-Men e tantos outros.

Apesar do pioneirismo e da qualidade técnica até então sem precedentes do primeiro Superman (1978), dirigido por Richard Donner, o segundo filme é geralmente considerado mais divertido e emocionante, o que certamente se deve ao fato das brigas sensacionais que o herói encara com três criminosos kryptonianos liderados pelo maligno General Zod (Terence Stamp, em performance lendária), adicionando à trama uma boa quantidade de ação que não existia no primeiro filme.


No entanto, apesar de ser um clássico, Superman II sempre foi um filme cercado por muita polêmica. O motivo é o seguinte: o ultracompetente e famoso diretor Richard Donner estava originalmente contratado para dirigir dois filmes do Superman, e por isso as duas películas foram filmadas juntas (o começo do primeiro filme já deixa o gancho pronto para a sequência). Só que, em virtude de desentendimentos de Donner com os produtores, o diretor acabou despedido antes da continuação ser finalizada. No seu lugar entrou outro Richard: Richard Lester, um diretor muitíssimo menos prestigiado (e que mostraria a toda a sua incompetência em lidar com o Homem de Aço ao dirigir o péssimo Superman III, alguns anos depois).


Bem, Lester não era Donner. Mas como o filme estava parcialmente pronto (com várias cenas já filmadas e com o roteiro essencialmente pronto), as inabilidades de Lester não chegaram a prejudicar demais Superman II. Apesar disso, durante muitos anos, os fãs choraram para que Donner fosse autorizado a lançar a sua versão de Superman II, usando o material que ele filmou antes de ser despedido e seguindo o roteiro de acordo com o que era antes de Lester assumir a direção. E em 2006, o sonho dos fãs se tornou realidade com este SUPERMAN II - THE RICHARD DONNER CUT, ou seja, como o Superman II de 1980 teria sido se Donner não tivesse quebrado os pratos com os produtores. Como Donner não conseguiu filmar tudo antes de ser despedido, foi necessário aproveitar cenas do material filmado sob direção de Richard Lester. Oficialmente, estima-se que 83% da filmagem dessa nova versão de Superman II foi feita por Donner, sendo que o resto foi aproveitado das filmagens de Lester.  


Tudo isso pode parecer apenas balela para dar dimensões exageradas para uma versão especial de um filme velho, mas realmente este não é o caso. Acredite: o Superman II de Richard Donner é um filme MUITO diferente do Superman II de 1980, apesar do roteiro ser essencialmente o mesmo. Para mim, que sou fã dos dois primeiros filmes e quase vou às lágrimas toda vez que vejo Christopher Reeve interpretando o Superman, foi um choque ver essa quantidade enorme de material inédito do ator encarnando o herói kryptoniano.

Se você pretende ver essa nova versão e não quer ter nenhuma surpresa estragada, sugiro parar de ler esse review por aqui. Estou avisando: haverão spoilers aos montes. Ainda lendo? Bem, então vamos lá.


O Superman II de Richard Donner é uma maravilhosa e divertidíssima surpresa para os fãs do Superman/Christopher Reeve, mas a verdade nua e crua é que, em termos gerais, ele simplesmente NÃO É um filme melhor do que o Superman II original de 1980. Algumas coisas ruins e furos de roteiro do filme original são deixados de lado nessa nova versão - mas, por outro lado, esse novo Superman II apresenta toda uma série de novos defeitos que, graças a Deus, ficaram de fora do filme original. Vamos analisar alguns pontos mais específicos.


A épica e lendária batalha do Superman contra Zod e seus asseclas nas ruas de Metrópolis ficou bem melhor nessa versão de Richard Donner. Lester, que tinha uma veia cômica muito saliente, insistia em colocar "gags" ridículas e sequências de coisas idiotas (no melhor estilo "Os Trapalhões") em todas as cenas em que isso era possível (basta ver a comédia pastelão que Superman III se tornou sob sua direção, com o comediante Richard Pryor roubando o filme no lugar do protagonista). Aquelas estúpidas cenas de pessoas tropeçando e levando sorvetes na cara durante a luta dos kryptonianos pelas ruas de Metrópolis, felizmente, foram removidas.

Por outro lado, outras incongruências absurdas dessa parte do filme foram mantidas tal qual no filme de 1980. Por exemplo: Superman está sobrevoando Metrópolis, em luta contra Zod, sendo que tudo está sendo assistido por Lois Lane da janela do prédio do Planeta Diário, e de repente os oponentes colidem com ... a Estátua da Liberdade! Mas, afinal de contas, eles estavam lutando em Metrópolis ou em Nova York?!? Para não falar da ridícula mamãe que fica andando com o seu filho no carrinho de bebê no meio de uma batalha entre quatro kryptonianos super-poderosos e irados ...


A nova versão acrescenta um bocado de cenas de Marlon Brando como Jor-El, interagindo com Reeve, o que evidentemente dá um valor sentimental enorme a esse novo Superman II de Donner. Por outro lado, tudo isso acaba vindo em prejuízo da coerência do roteiro. Explico: no Superman II de 1980, o herói abria mão de seus super-poderes a fim de levar adiante o seu romance com Lois Lane. Assim, ele perdia seus poderes e só então ia para a cama com a mocinha, deixando implícito que com seus poderes ele não poderia ter feito isso (é uma premissa coerente, embora boba, já que o Superman dos quadrinhos traça a Lois regularmente sem precisar abrir mão de seus poderes para isso). Já nessa nova versão de Donner, Superman PRIMEIRO vai pra cama com Lois e só depois resolve se transformar num homem normal. 


Ahn ... O QUÊ?!? Ora, se ele podia namorar a Lois normalmente sem perder seus poderes, então por que adotar essa atitude radical? Alguém poderia dizer que ele abriu mão de seus poderes "para poder se dedicar exclusivamente à ela e não precisar mais ficar salvando pessoas pelo mundo afora". Mas essa explicação é péssima. Se Superman queria apenas deixar de ser herói, não precisava se submeter a um procedimento para virar um homem normal desprovido de super-poderes. A montagem do filme original fazia muito mais sentido e tornava mais coerentes as ações do herói. Na versão de Donner, a decisão do Superman acaba parecendo coisa de débil-mental.

Outra furada da nova versão: aqui, é um dos mísseis de Lex Luthor (aquele que o Superman desvia no final do primeiro filme) que acaba destruindo a prisão dimensional onde estavam o General Zod e seus subordinados. Sem falar que Luthor viaja até a Fortaleza da Solidão e, consultando os cristais de Jor-El, acaba descobrindo sobre a existência de Zod. Quer dizer, vejam só que "coincidência": Luthor toma conhecimento da existência de Zod ao mesmo tempo em que o míssil que ele mesmo lançou acabou libertando Zod, que está chegando à Terra. Toda essa série de coincidências absurdas não existiam no filme original de 1980. 


No entanto, o pior do Superman II de Donner é que, inacreditavelmente, ele repete o truque narrativo que era simplesmente A PIOR COISA DO SUPERMAN DE 1978: a ridícula, constrangedora e infame viagem no tempo. Lembram que, no final do primeiro filme, Superman fazia a Terra girar ao contrário para fazer os eventos retrocederem e impedir que Lois Lane morresse? Aquela cena lamentável, que maculou um filme praticamente perfeito, aparece DE NOVO nessa nova versão de Superman II. Pô, Richard Donner, mas qual é o seu problema?!? MAIS UMA VEZ, Superman faz a Terra girar ao contrário para mudar o curso dos eventos - dessa vez, no final do filme, para impedir que os vilões kryptonianos escapem de sua prisão eterna na Zona Fantasma. Pô, mas qual o sentido de lutar com os vilões o filme inteiro e derrotar eles para, só no final, fazer o tempo voltar e apagar tudo o que aconteceu? Por que Superman não fez isso já na metade do filme, evitando toda aquela batalha nas ruas de Metrópolis?!?

O Superman II de 1980 nunca foi um filme perfeito. Haviam várias partes aborrecidas e o roteiro tinha furos significativos. Mas, no novo Superman II de Richard Donner, o roteiro é transformado num verdadeiro quejo suiço: é pouco roteiro para muito furo. Duvido que o filme tivesse saído tão incoerente se tivesse sido lançado por Donner lá em 1980. A meu ver, as incongruências gravíssimas do filme são fruto da "colcha de retalhos" no qual o material filmado por Donner se transformou, bem como o longo tempo transcorrido entre a produção original e a montagem deste novo corte.

Conclusão: o Superman II de Richard Donner é imperdível para os fãs dos filmes de 1978 e 1980. A oportunidade de ver material inédito estrelado por Reeve é um verdadeiro presente para os fãs, para não falar do vasto material adicional com Marlon Brando. Mas que ninguém se iluda: esse novo corte do filme não resulta, no geral, num Superman II melhor do que o original. Alguns aspectos negativos foram melhorados, mas um monte de novas deficiências narrativas foram acrescentadas. Sou fã confesso de Richard Donner, mas - sinceramente - ainda fico com o Superman II que eu cresci vendo na TV.


Reveja Don Johnson como o Sonny Crockett de Miami Vice!

Atualmente, estou vendo aos poucos a segunda temporada de Miami Vice, que foi originalmente ao ar nos EUA em 1985. Aproveitando o feeling, resolvi compartilhar uma descoberta recente que fiz: em 2010, a Nike fez um comercial com alguns segundos de homenagem a Miami Vice, trazendo o inimitável Don Johnson de volta ao célebre papel de James "Sonny" Crockett. Caramba, quase choraminguei ao ver Crockett sessentão!
Tá certo que o filme de 2006 (que não tinha quase nada a ver com a série) foi legal, mas bem que podiam fazer um longa metragem de Miami Vice com o elenco original! Se Harrison Ford ainda aguenta interpretar o Indiana Jones e se Stallone ainda consegue encarnar o Rambo, tudo é possível ...
 
(A parte "Miami Vice" do comercial começa aos 0:56 do vídeo e dura apenas uns 12 segundos).

Mulheres que amamos: JESSICA RABBIT




Uma das musas do cinema oitentista. Mandou bem, Roger!


E até que essa aí chegou perto hein ...  uau, mas que baita gostosa!